Universidade mexicana cria cimento fosforescente

Cimento Fosforescente

Pesquisadores do departamento de engenharia civil da Universidade Michoacana de San Nicolás de Hidalgo (UMSNH), no México, anunciaram recentemente ter conseguido produzir um tipo de cimento branco fosforescente. O material funciona como uma bateria: durante o dia, alimenta-se da energia solar; à noite, emite luz. Para chegar à matriz com propriedades luminescentes, a equipe da UMSNH agregou elementos de sílica, resíduos industriais e hidróxido de sódio e potássio ao cimento.

Os elementos alteraram a microestrutura do material, reduzindo a opacidade inerente ao cimento. Quando usado para a produção de concreto, o produto preserva suas propriedades e pode ser utilizado na iluminação sustentável de edifícios, na sinalização de ciclovias e mobiliários urbanos, além de servir como efeito decorativo em ambientes internos e externos. “Na verdade, a aplicação dele é ampla”, define José Carlos Rubio Ávalos, Ph.D do departamento de engenharia da UMSNH.

Os estudos coordenados por Rubio partiram de pesquisas sobre fotoluminescência, e que já são aplicadas na indústria de plástico. “Achamos que poderíamos agregar essas propriedades ao cimento, com resultados bem satisfatórios”, diz o cientista, que ressalta: não se consegue dar o efeito de fosforescência ao cimento Portland. “No cimento branco, a luz consegue penetrar. Já no cimento convencional, ou Portland, isso não ocorre. A luz atinge a superfície, mas não penetra”, revela.

Um dos maiores desafios dos pesquisadores do novo material foi a manutenção da durabilidade e das características de trabalhabilidade do cimento branco original. Ao contrário dos produtos poliméricos fotoluminescentes, o concreto fabricado com o material fosforescente é capaz de resistir à ação da radiação ultravioleta sem se deteriorar prematuramente, sendo capaz de manter o seu desempenho mecânico por um período similar ao do concreto convencional.

Luz por oito horas
A capacidade de armazenamento de energia do cimento branco fosforescente desenvolvido na universidade mexicana pode emitir luz por um período máximo de oito horas. Isso, em condições meteorológicas favoráveis, ou seja, com luz solar intensa. “Quanto maior o nível de intensidade solar, melhor, pois os elementos microagregados ao cimento reagem bem aos raios ultravioletas, ajudando o material a manter sua coloração e evitando riscos patológicos às estruturas do concreto”, afirma José Carlos Rubio Ávalos.

À frente de uma pesquisa que já dura nove anos, o Ph.D da UMSNH evita revelar detalhadamente a formulação do cimento, pois o material ainda está em processo de obtenção de patente junto ao Instituto Mexicano de Propriedade Industrial (IMPI) . O pesquisador também não divulga dados sobre a resistência do cimento fotoluminescente. Pioneiro, o projeto mexicano desencadeou pesquisas em outros países. A Academia Real de Engenharia de Londres também desenvolve um cimento com características semelhantes, assim como a Universidade de Tecnologia de Delf, na Holanda.

Porém, à frente dos concorrentes, a UMSNH agora trabalha para transferir a tecnologia para a indústria cimenteira. Os pesquisadores da universidade também desenvolvem estudos para conseguir tornar materiais como gesso e cerâmicos igualmente fosforescentes. “Já imaginou banheiros e piscinas emitindo luz própria?”, questiona José Carlos Rubio Ávalos, convicto de que seu invento vai revolucionar a indústria do cimento no mundo.

Fonte: Altair Santos/ Massa Cinzenta

Nitrogênio pode ser usado para reduzir rachaduras em concreto

Conhecida pela sua atuação no fornecimento de gases industriais para áreas como indústria e saúde, a Air Liquide acaba de colocar seu pé no segmento de construção civil. A empresa está divulgando o Cryocrete, aplicação de nigrogênio em grandes estruturas de concreto, permitindo o resfriamento do material até o nível considerado como adequado para evitar futuras rachaduras e outros tipos de fissuras. A aplicação teria mais apelo em obras como barragens, pontes, viadutos e usinas, entre outras.

O princípio de aplicação considera o cenário de preparação do concreto, quando fatores como a temperatura dos componentes fazem com que a temperatura final da mistura seja maior em relação à do ambiente. Essa diferença, na avaliação da empresa, pode comprometer o resultado da aplicação e fazer com que surjam rachaduras na construção, já que o cimento não foi “curado”, ou seja, hidratado e resfriado de forma adequada.

“A aplicação do CryoCrete acelera esse processo porque o nitrogênio é um gás que, naturalmente, já se encontra sob baixíssimas temperaturas, de até -196ºC. O resultado é o resfriamento mais rápido da mistura de concreto, que leva em média de 6 a 7 minutos para atingir a temperatura ambiente com o uso da solução da Air Liquide”, explica a companhia em nota oficial. O resfriamento com gelo, alternativa normalmente utilizada nesse processo, consome de 15 a 20 minutos.

O uso do nitrogênio para resfriar concreto também seria mais eficaz do ponto de vista operacional na avaliação da Air Liquide. O gás é aplicado diretamente nas betoneiras, por meio de equipamento próprio para essa finalidade. O gelo, na maioria das vezes, demanda que a aplicação seja feita de forma manual, além de não atingir as mesmas temperaturas se comparado ao uso do gás. O processo também economizaria o consumo de água e energia durante no resfriamento do concreto.

Fonte: InfraROI

RCO lança primeira concreteira “FIT” do Brasil

Unidade industrial, localizada em Tambaú, tem ciclo médio de produção de 22 minutos, incluindo dosagem do concreto, abastecimento do caminhão e emissão da nota fiscal

Divulgação: RCO

O conceito “FIT”, da sigla em inglês, pode ser resumido em ser ou estar em boa forma, ou seja, estar qualificado, adequado e preparado. No caso da RCO, fabricante de equipamentos para o mercado de concreto, armazenagem e movimentação, a palavra inglesa traduz a nova divisão de negócios do grupo: um novo conceito de concreteira.

Sediada em Tambaú, no interior de São Paulo, a FIT Concreto começou a nascer há dois anos e passou por vários estágios, inclusive estudos de mercado e avaliação de consultorias especializadas. O resultado é uma planta enxuta, moderna e eficiente com capacidade de produção de 2 mil m3/mês de concreto. E o mais importante: combina qualidade final com a garantia de entrega no prazo.

A FIT Concreto adota um processo inovador de produção, com um ciclo médio de 22 minutos desde a dosagem do concreto e abastecimento do caminhão até a emissão da nota fiscal. Tudo na nova empresa é otimizado – do layout da planta, incluindo área administrativa – à frota de caminhões betoneira, passando pela sinergia entre os equipamentos fabricados pela empresa-mãe.

“Desde agosto a FIT Concreto que já está atendendo clientes na região em um raio de atendimento de 60 km a partir de nossa sede”, conta Eduardo Souza, diretor do Grupo RCO.

Além de operacional comercialmente, a FIT Concreto que vislumbra ser uma concreteira referência, também funciona como um laboratório com dois objetivos: avaliar o desempenho dos equipamentos da RCO e oferecer um portfólio de treinamento para empresas do segmento.

A planta de produção da FIT Concreto foi instalada num terreno de quatro mil metros quadrados, incluindo o prédio administrativo e a área para treinamento. A fabricação do concreto usinado envolve a central dosadora RCO Nomad – que tem como principais características, mobilidade e rápida instalação, três caminhões betoneiras e um caminhão bomba para entrega do concreto. A unidade possui ainda dois veículos para atendimento comercial e técnico das obras. Atualmente, a concreteira emprega 15 funcionários.

“A FIT Concreto vem para desmistificar a percepção equivocada de que concreto é tudo igual. Para nós, a qualidade do nosso produto, atrelada a uma entrega rápida, flexível e eficiente é imprescindível. E desta forma, queremos nos tornar referência no setor, transmitindo credibilidade, segurança, tecnologia, e modernidade”, comenta Souza. Segundo ele, a concepção da nova empresa vem sendo amadurecida há mais de um ano. A última etapa envolveu uma consultoria de negócios para refinar as atividades, inclusive o modelo administrativo.

RCO participa da FICONS 2016 para ampliar sua presença no Nordeste

Evento acontece de 13 a 17 de setembro, em Olinda, e é uma das plataformas para divulgação da empresa paulista na área de equipamentos como centrais de concreto e silo para amarzanegam. Sua parceira, Siti, fabricante de betoneiras e gruas, também estará no estande da RCO.

Com atuação já consolidada no Brasil, a RCO, fabricante de centrais dosadoras e silos para armazenagem de concreto, adota uma nova estratégia para impulsionar ainda mais seus negócios no país. Para o segundo semestre deste ano, a companhia aposta na ampliação de sua presença na região Nordeste e começa a aproximação já nesta semana, durante a FICONS (Feira Internacional de Materiais, Equipamentos e Serviços da Construção), que acontecerá em Olinda (PE).

A companhia participará do evento por meio de materiais de comunicação visual, apresentando todo o portfólio de equipamentos para o público presente. Os vídeos demonstrativos trarão orientações para a montagem e operação diária de centrais dosadoras e silos, a exemplo da central móvel Nomad D-20, com capacidade para a produção de 20m³/hora, e o silo vertical aparafusado de 3000 mm de diâmetro. Ambos os equipamentos são móveis, permitindo um rápido deslocamento entre os canteiros de obra.

Além do conceito da mobilidade, a RCO deve reforçar o conceito de inovação que vem permeando suas campanhas. Modelos de centrais dosadoras fixas e automatizadas serão apresentados, juntamente com o sistema de segurança para silos verticais ou horizontais. Soluções de caixas de agregados e descarregadores de big-bag também serão demonstradas, complementando o portfólio da RCO no evento.

Outra novidade do estande em Olinda é a presença da Siti, empresa parceira da RCO e fabricante de betoneiras e gruas. A presença da parceira tem o objetivo de mostrar uma opção completa para as empresas que atuam no mercado de concreto.

De acordo com Eduardo Souza, diretor executivo do Grupo RCO, a participação no evento é motivada, principalmente, pela sua relevância entre os pequenos e médios fabricantes de concreto da região. “Temos direcionado nossas ações a pequenos nichos do segmento de concreto e a FICONS é uma ótima oportunidade para apresentar nossa tecnologia”, diz. Adicionalmente, Souza ressalta os índices de desenvolvimento em infraestrutura para o Nordeste, fator que impulsiona o interesse da RCO na região. “É uma área que tem potencial para atrair investimentos para novas obras e a intenção é mostrar que temos capacidade para atender as futuras demandas”, finaliza.

Serviço

X Feira Internacional de Materiais, Equipamentos e Serviços da Construção
Data:
 13 a 17 de setembro de 2016
Horário: 16h00 – 22h00 – terça a sexta-feira
14h00 – 20h00 – sábado
Local: Centro de Convenções de Pernambuco - Av. Prof. Andrade Bezerra, s/n – Salgadinho, Olinda – PE      CEP 53111-970

Retomada da indústria do cimento começa já em 2017

Avaliação é do presidente da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), feita nessa manhã, durante a abertura do Concrete Show South America em São Paulo. 

A indústria brasileira do cimento deve fechar o ano com uma retração entre 10% e 12%, segundo a ABCP, entidade que congrega os fabricantes do setor. Com isso, o Brasil opera com cerca de 57 milhões de toneladas/ano, quase 60% da capacidade instalada das fábricas locais. Apesar de longe dos 70 milhões de toneladas produzidas em 2014, há uma expectativa de retomada – lenta – a partir do ano que vem.

A sinalização de melhoria foi feita por Renato Giusti, presidente da ABCP, hoje de manhã na abertura do Concrete Show South America, evento que acontece em São Paulo até essa sexta. Em entrevista ao InfraRoi, Giusti ressaltou que o momento ainda é de prudência. “Precisamos avançar em inovações tecnológicas que garantam um custo menor e agilidade nas obras e a Concrete Show vem para colaborar nesse sentido. Uma feira é sempre um encontro otimista, que eleva o animo e incentiva a produtividade”, argumentou.

Consolidado como um dos principais eventos do mercado de construção, a 10° edição do Concrete Show South America reúne mais de 500 marcas nacionais e internacionais, de 150 segmentos distintos. Entre os expositores destacam-se empresas como a Basf, Gerdau, Liebherr, Yanmar, Schwing Stetter, Husqvarna, Votorantim Cimentos, LarfageHolcim e Volvo, entre outros. De acordo com os organizadores, a feira tem a expectativa de receber mais de 25 mil visitantes este ano.

Fonte: InfraROI

Internet das coisas (IoT) ajuda a reforçar a indústria do cimento

Entenda como o uso de sensores embarcados pode contribuir com a redução de custos e com o aumento da qualidade dos produtos.  

O interesse em torno da Internet das Coisas (IoT) tem crescido à medida em que os fabricantes e fornecedores começaram a perceber os benefícios reais do uso de sensores embarcados em diversas operações.

Em artigo publicado na D!gitalist Magazine, Jennifer Scholze, líder global de Marketing da Indústria para os produtos do moinho e mineração na SAP, aponta que a quantidade de informação fluindo de produtos e equipamentos inteligentes está aumentando cada vez mais: os dados que estão sendo gerados tem previsão de alcançar 44 trilhões de gigabytes até 2020, segundo um relatório das empresas  IDC e da EMC.

Para a especialista, o uso de dados de maneira inteligente pode trazer ganhos concretos às empresas, incluindo a redução de custos na manutenção dos equipamentos e logística otimizada. Na indústria de cimento não é diferente. “Alguns executivos estão sob a falsa impressão de que trazer essas companhias para o mundo digital requer milhões de dólares de investimento. Na realidade, o custo de sensores embarcados tem caído significativamente e o aprendizado de como se utilizar esses dados pode ser feito passo-a-passo”, ressalta Jennifer no artigo.

Acompanhe, abaixo, alguns exemplos citados pela líder de Marketing da SAP, que mostram como os dados estão sendo usados para mudar a indústria de fabricação.

  1. 1.      Monitoramento de equipamentos

Analistas Gartner, empresa de consultoria internacional, estimam que 526 milhões de peças de equipamentos fabricados serão capazes de se comunicar através de uma rede de sensores até 2020.

A saúde desse fluxo de máquinas conectadas e o status dos dados que serão capturados por sistemas de monitoramento vão trazer parâmetros de normalidade, permitindo que os trabalhadores resolvam os problemas imediatamente ou, em alguns casos, que o equipamento se ajuste automaticamente.

A resolução de problemas em tempo real e a identificação do problema podem economizar tempo e dinheiro. Um bom exemplo disso é o da Joy Global, fabricante de equipamentos de mineração subterrânea. Instalada no cliente, uma das máquinas da empresa apresentou superaquecimento. Os engenheiros pensarem que o controle de ajustes de velocidade e potência do motor havia falhado. Mas, depois de analisar os dados dos sensores da máquina, identificou-se a necessidade da substituição do dispositivo de troca de calor – um trabalho de reparo muito menor.

O mesmo pode ser aplicado na indústria de concreto, na qual o monitoramento remoto pode ser usado para se ter uma visão maior de grandes veículos que transitam na pedreira e reportam métricas chaves como consumo de combustível por tonelada, tonelada por entrega ou horas de operação.

  1. 2.      Manutenção preditiva

Quando analisamos os status dos equipamentos e as performances de dados para determinar tendências ou mesmo para enriquecer um conjunto de dados de fabricação, é possível predizer o potencial de más funções e necessidade de manutenções. Usando essas informações, as companhias podem agendar manutenções durante o tempo de menor impacto e evitar custos de paradas não previstas.

A manutenção preditiva tem, por exemplo, diminuído significativamente o custo da indústria de óleo e gás. Quando a peça de um equipamento de uma sonda de petróleo é monitorada, é possível prever uma série de problemas, fazendo o reparo das peças e entregando no tempo correto.

O mesmo procedimento pode ser adotado na indústria cimenteira, por meio do acompanhamento de equipamentos críticos, tais como fornos e moinhos. Outra forma é combinar os dados provenientes dos sensores instalados em caminhões com informações padrões de uso, para prever quando um veículo pode falhar.

  1. 3.      Qualidade preditiva

Após implantar o monitoramento remoto e soluções de manutenção preditiva, é possível dar o próximo passo em direção à previsão de qualidade do produto. A qualidade preditiva envolve a revisão de todos os tipos de dados do processo produtivo, tais como pressão e eletricidade, correlacionando-a com parâmetros de qualidade. Mais especificamente, os sensores podem monitorar características específicas do produto durante a fabricação, permitindo ajustes em tempo real.

Uma companhia que usa esse modelo é a fabricante de carpetes Mohawk. Com a ajuda de sensores, os trabalhadores podem fazer melhorias que garantam a consistência entre os tapetes. A coleta de dados também permite a certificação de qualidade para reduzir os custos associados com as reclamações de garantia e fornece melhores detalhes de cada lote produzido.

E como se pode predizer a qualidade na indústria de cimento? Bom, cimentos de alta qualidade exigem uma mistura muito homogênea antes de entrar no forno. Então o calcário deve ser britado consistentemente, o que requer o monitoramento dos materiais que estão entrando no moinho, bem como os ajustes da velocidade do mesmo para ganhar melhor produção.

Outras aplicações incluem monitoramento e medida da durabilidade da mistura do concreto e o reporte sobre se ele está de acordo com as normas internacionais baseadas na qualidade preditiva do concreto, ao invés de esperar por análise de laboratório.

  1. Logística conectada

A racionalização logística muitas vezes proporciona a maior oportunidade de melhoria e a indústria do cimento não é exceção. A coleta, comparação e integração de dados de várias fontes para identificar as melhores práticas ou anomalias estão provando ser úteis na tomada de decisões inteligentes que melhoram o rendimento da produção e gestão de frotas.

O gerenciamento da frota é mais uma oportunidade para alavancar ideias e aumentar a eficiência. Frotas interligadas combinam dados do veículo (pressão dos pneus, velocidade do motor, etc.); dados de comportamento de condução (velocidade, aceleração, frenagem, o tempo gasto carga e descarga); e dados de negócios para economizar em custos de transporte.

Por exemplo, ao visualizar o consumo de combustível em várias condições, as empresas podem identificar as viagens com o maior consumo de combustível a fim de reduzir as atividades que levam a custos mais elevados do que o normal.

  1. Análise preditiva

Para organizações que precisam de dados bastante sofisticados, a análise preditiva pode providenciar insights avançados, muito próximos da avaliação do ciclo de vida do produto.

A Joy Global, por exemplo, tem alcançado benefícios significativos usando a análise preditiva para manter um ambiente de segurança e garantir operações consistentes. A companhia monitora a pressão de máquinas que estão fazendo a perfuração de rochas, o que permite a comparação da perfuração com parâmetros seguros.

 

Pontes de concreto avançam no Mato Grosso

Mais resistentes, novos elevados substituirão as antigas estruturas de madeiras.

A maior ponte de madeira da América Latina, que liga as cidades de Colniza e Aripuanã, no Mato Grosso, está vivendo os seus últimos dias. Segundo a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT), a construção será substituída por uma nova ponte de concreto, com 350 metros de comprimento, que deve ser entregue até o final de agosto.

Quando for efetivada a conclusão da obra, a rodovia MT 208 ganhará um novo caminho de travessia sobre o Rio Aripuanã, a cerca de 1 mil km de capital, Cuiabá. Além disso, outra ponte de concreto deverá ser entregue em Colniza até o segundo semestre deste ano: o elevado sobre o Rio Guariba terá 128 metros de extensão e pista simples com quase 10 metros de largura.

Em ambos os casos, as antigas pontes de madeira darão lugar a uma construção mais sólida, garantindo maior segurança aos moradores. De acordo com a Seinfra-MT, as pontes de madeira da região Noroeste do estado foram as que mais sofreram com a falta de manutenção nos anos anteriores. As que estão localizadas sobre os rios Guariba e Aripuanã, por exemplo, sofreram rupturas, com partes arrastadas diversas vezes pela força da água acumulada dos rios no período de chuvas.

Transpantaneira também recebe novas estruturas

Desde 2014, as pontes de madeira da Rodovia MT-060, mais conhecida como Transpantaneira, estão sendo substituídas por elevados de mistos de concreto e aço. No total, serão 31 pontes nestes moldes entre o início da Transpantaneira e o rio Pixaim, sendo que 13 já foram concluídas. A entrega final está prevista para o primeiro semestre de 2017.

Na última semana de julho, a Sinfra-MT lançou o edital de chamamento público para selecionar organizações da sociedade civil interessadas em realizar a manutenção e conservação rodovia. Segundo o órgão, serão disponibilizados mais de R$ 2.400 mil por 12 meses de atividades.

A organização escolhida deverá garantir a trafegabilidade da Transpantaneira entre o perímetro urbano (fim do trecho duplicado) do município de Poconé até o Porto Jofre, além da limpeza da faixa de domínio, a reforma do posto fiscal, manutenção das pontes de madeira existentes no trecho e a construção de mirantes.

Os envelopes com as propostas deverão ser apresentados nos dias 23 e 24 de agosto, na sala de reuniões da Secretaria Adjunta de Logística. A análise dos recursos e a divulgação do resultado final estão previstas para o dia 09 de setembro.

Areia de brita produzida a seco é opção ao mercado concreteiro

Areia de brita

Com aumento das restrições ambientais dos últimos anos, os produtores de areia de todo o país têm buscado e investido em novas opções de extração. Uma das mais conceituadas no mercado atualmente é a extração de areia artificial, também conhecida como areia de brita – fruto do beneficiamento do pó de pedra, com aplicação de melhorias, inclusive, em seu formato.

Prova do aumento pela procura desse material é dada por Fernando Valverde, presidente da Associação Nacional das Entidades de Produtores de Agregados para a Construção Civil (ANEPAC), em entrevista concedida ao portal Massa Cinzenta. De acordo com ele, a demanda de mercado por areia de brita era de cerca de 20 milhões de toneladas por ano até 2014.

Esse cenário somado a extração cada vez mais restrita de areia natural incentivou investimentos no setor de mineração e pode ser uma alternativa também ao setor concreteiro. A Pedreira Lageado, localizada em São Paulo, é um dos exemplos. A empresa está implementando sua planta de produção de areia manufaturada e pretende produzir cerca de 70 toneladas de areia de brita por hora até outubro deste ano.

Para fazer alcançar esse resultado, a Pedreira incorporará sistemas de processamento de brita a seco, desenvolvidos pela Metso, fabricante finlandesa de equipamentos para mineração. De acordo com André Luís Misael, gerente de Vendas da área de agregados da empresa, a escolha feita pela Lageado tem se tornado comum no país, já que funciona como opção aos processos realizados a úmido, com hidrociclonagem.  “Afinal, a aprovação de barragens para tanques de decantação tem sido severamente avaliada pelos órgãos ambientais depois dos últimos acidentes minerais”, diz.

Configuração do sistema

Marcelo Motti, principal executivo da Metso no Brasil, destaca que o processo é composto por um moinho autógeno (Barmac), cujo objetivo é melhorar a cubicidade do material, deixando-o em formato muito similar ao encontrado nos grãos de areia natural.

A produção de areia manufaturada a seco é finalizada por um classificador a ar (Air Classifier), algo que Motti denomina como o “coração do processo” e que é instalado logo na sequência do Barmac. “Trata-se de um equipamento dotado de filtro de manga, usado para retirar o filler do classificador a ar”, explica.

A associação das duas soluções gera, então, uma condição favorável aos produtores de concreto, que conseguiriam reduzir o consumo de água e cimento em suas misturas, utilizando areia de qualidade, segundo André Misael.

A nova planta da Pedreira Lageado conta ainda com sensores para conduzir a produção desde os transportadores de correias até a entrega final da areia manufaturada. André Misael conta que há ainda a integração do sistema a uma balança do produto final, integrando a ideia de monitorar e gerar relatório dos equipamentos com dados sobre disponibilidade operacional, manutenção e alarmes de ocorrências.

Dibasemix invade o mercado de “agroconcreto” com tecnologia da RCO

Um quinto do mercado da empresa de Mutum, região Leste de Minas Gerais, é o segmento de agronegócios, principalmente o de café.

Ronaldo Coutinho é um empreendedor nato. O criador da Dibasemix estudou o potencial mercado de Mutum (MG) e das cidades vizinhas num raio de 80 km. Situada no Leste de Minas Gerais, a cidade tem uma forte atividade de agronegócios, principalmente a produção de café. Uma das principais demandas dos cafeeiros é ter uma área plana e bem organizada para a secagem dos grãos. Pronto. Sem concorrentes no local, Coutinho criou o mercado do “agroconcreto”, que hoje responde por 20% da produção da empresa.

“Meus clientes são pequenos construtores, ou seja, uma clientela que passa ao largo do interesse das grandes concreteiras”, resume o empreendedor. Mesmo quando atendidos por elas, esse tipo de cliente enfrenta problemas de logística devido à distância entre as obras e os fornecedores de concreto, de acordo com ele.

Embora pulverizado, o número de pequenos construtores era grande em termos de volume. Pelo menos para Coutinho, que já chegou a produzir a média de 100 m³ de concreto por dia.  Com a CDR-40, central dosadora da RCO, ele automatizou a produção antes pouco mecanizada e que consistia no conjunto de caminhão betoneira e bomba de concreto.

A experiência de ter atuado na venda de materiais de construção permitiu que Coutinho ampliasse o atendimento aos pequenos construtores, identificando demandas que superam os de agronegócios, incluindo o assentamento de lajes em construção de pequeno e médio porte, entre outros. Com a compra da CDR-40 já em 2014, a empresa garantiu a demanda crescente.

“O equipamento tem capacidade de produção de 40m³/hora o que, a meu ver, é ideal para os pedidos que recebemos por aqui. Se tivéssemos escolhido uma central menor, provavelmente não conseguiríamos atender todas os serviços”, avalia Coutinho.

Alex Nogueira, Consultor de Vendas da RCO, ressalta que as centrais da fabricante se destacam por sua robustez e pela qualidade dos componentes incorporados ao equipamento, proporcionando eficiência e baixo nível de manutenção ao cliente. O portfólio da empresa reúne modelos de Usinas de Concreto que atendem obras de pequeno à grande porte, com produção de 20 a 120 m³/h. “Especificamente neste projeto, apresentamos os modelos disponíveis e, em conjunto com a Dibasemix, chegamos à conclusão de que a CDR-40 seria a opção ideal para garantir o sucesso do cliente”, finaliza Nogueira.

Bloco de concreto família 11,5 faz mais com menos

A ABCP Sul (Associação Brasileira de Cimento Portland da região Sul) tem acompanhado obras com o emprego do bloco de concreto família 11,5. Entre os empreendimentos, estão casas com 50 m2, que tiveram a estrutura e a alvenaria concluídas em dois dias. O canteiro envolve poucos profissionais, além de ressaltar a fácil modulação, a praticidade e a produtividade, explica o engenheiro civil Alex Maschio, gerente regional Sul da ABCP. Na entrevista a seguir, ele explica como o uso de blocos de concreto ajuda a fazer mais com menos, sem abdicar da qualidade. Confira:

O senhor poderia explanar como se deu a construção de casas de 50 m², cuja alvenaria de cada unidade ficou pronta em dois dias usando blocos de concreto 11,5?
Isso foi possível devido à alta produtividade obtida quando utilizados blocos de concreto. Pela simplicidade do processo construtivo, e a facilidade de modulação dessa família de blocos, um profissional com pouca experiência consegue produzir até quatro vezes mais que no sistema convencional, com tijolos de barro. Trata-se de um salto de 7 m²/homem/dia, no convencional, para mais de 30 m²/homem/dia. É importante deixar claro que em dois dias ficou pronta a alvenaria e a estrutura de cada edificação, e não a residência como um todo. Para atingir essa produtividade, é fundamental também optar por argamassa industrializada (ensacada ou estabilizada), evitando assim desperdícios e perda de tempo em obra.

O bloco de concreto 11,5 é o ideal para projetos que envolvem alvenaria estrutural?
A palavra ideal limita muito. Cada obra é uma obra, e essa família de blocos certamente é uma opção muito interessante para uma boa gama de situações. Mas há outras situações em que outras famílias de blocos de concreto podem ser mais adequadas. A ABNT NBR 6136:2004 (Blocos vazados de concreto simples para alvenaria – Requisitos) especifica nove famílias de blocos, entre as quais a 12,5 x 25 (utilizada na obra em questão e conhecida como família 11,5). Neste caso, os blocos têm 11,5 cm de largura x 24 cm de comprimento e 19 cm de altura, mas considerando a argamassa de assentamento e acabamento, considera-se 12,5 x 25 x 20 cm de altura. Cada tipo de bloco tem suas características específicas e adapta-se melhor a determinados tipos de obra. Em obras verticais de maior porte, por exemplo, são utilizadas famílias com blocos maiores e com paredes mais espessas na busca por uma maior produtividade e maior resistência das peças. Outro aspecto importante é pensar nos desempenhos térmico, acústico e de durabilidade, que também irão impactar no tipo de bloco a ser utilizado. Enfim, a família 12,5 x 25 (com blocos de 11,5 centímetros) certamente é uma excelente opção para obras de alvenaria estrutural, principalmente térreas, mas não podemos dizer ideal para todas as situações.

A principal vantagem do bloco de concreto 11,5 é que ele permite fazer mais com menos?
Não só o bloco 11,5 cm, mas todos os blocos de concreto. A solução de alvenaria estrutural racionaliza o processo construtivo, elimina desperdícios e aumenta a produtividade, proporcionando uma economia de até 30% no custo total da obra (em relação apenas aos blocos, podemos dizer que 1,0 m² de alvenaria com bloco 11,5 custa, em termos gerais, 25% menos que os blocos convencionais de 14 cm). O bloco 11,5 cm, em obras baixas, possibilita acentuar esse ganho, pois a fácil modulação e baixo peso das peças aceleram ainda mais o processo construtivo. Vale frisar que os blocos 11,5 são também uma excelente solução para alvenaria de vedação/fechamento em obras com estrutura de concreto armado convencional. Eles aceleram a execução, eliminam desperdícios e simplificam a passagem de tubulações. Em resumo, as vantagens são:
– Fácil e precisa quantificação, em virtude de sua modulação simplificada (um dois e três “furos” apenas)
– Limpeza da obra (pequena ou nenhuma geração de resíduos)
– Ganho de produtividade
– Redução no consumo de argamassa de assentamento
– Regularidade e redução nos revestimentos
– Execução simplificada
– Excelente desempenho térmico e acústico
– Menor custo da alvenaria

Esse tipo de obra seria uma solução para habitações de interesse social?
Certamente é, e não só para habitações de baixa renda, mas para qualquer tipo de edificação a ser construída. Como mencionei anteriormente, a utilização de blocos de concreto possui uma série de vantagens que permitem fazer mais com menos. O bloco 11,5 vem para agregar ainda mais, pois traz consigo também a simples modulação.

As casas construídas foram um protótipo ou já têm condições de ser construídas em larga escala?
Trata-se de um projeto da Construtora Joama, sendo a residência parte de um condomínio residencial. Portanto, não é um protótipo. Com certeza, pode ser produzida em larga escala e, inclusive, temos diversos exemplos espalhados no Brasil que já utilizam bloco 11,5. Inclusive, alvenaria estrutural com blocos de concreto é o sistema mais utilizado nas obras do programa Minha Ca Minha Vida. O grande ponto aqui não é o ineditismo, mas sim a versatilidade desse bloco de 11,5cm.

Outra vantagem foi o emprego reduzido de mão de obra, correto?
Sem dúvida, a utilização de blocos de concreto racionaliza o canteiro e, por si só, permite a redução de mão de obra. A produtividade aumenta e a simplicidade executiva permite que uma pequena equipe execute um serviço de alto rendimento, sem que haja perda de qualidade.

Os profissionais têm alguma especialização ou são pedreiros e mestre de obras?
Mão de obra normal, sem especialização. Quanto mais se faz, mais produtivo fica. Obviamente, uma equipe com mais experiência irá produzir com maior velocidade, mas nada impede que qualquer pessoa possa efetuar uma ampliação de sua casa utilizando-se desse sistema.

Qual a praticidade da obra em termos de modulação e produtividade?
A fácil modulação permite utilizar este tipo de bloco em qualquer obra, desde uma pequena ampliação em uma residência até um edifício. Dependendo do tipo de uso se faz necessário um projeto específico e detalhado – no caso de edifícios, por exemplo. Principalmente, se o uso for pelo sistema de alvenaria estrutural.

Qual o custo de uma obra deste tipo?
O custo é um aspecto muito abrangente e dependente de vários fatores, entre eles acabamento e terreno. O que posso salientar é que, com a utilização dos blocos 11,5, a construção pode chegar a uma economia de 30% no custo total, variando de acordo com a especificidade de cada obra.

Para entregar a casa pronta para morar levaria quantos dias mais, já que apenas a alvenaria ficou pronta em dois dias?
Esse é outro aspecto complexo. Quanto maior a repetição, menos dias se leva para edificar uma casa. Isso é racionalização. A ideia é transformar o canteiro de obras em linha de produção. Para exemplificar: se tivermos um condomínio com 180 casas iguais de 50 m² é muito provável que seja possível concluí-las em menos de seis meses, o que daria uma casa por dia. Como é possível, se só a alvenaria leva mais de um? Aí entra a industrialização ou racionalização. No entanto, se formos fazer apenas uma casa de 50 m², é provável que se leve em torno de um mês, ou algo assim, pois cada etapa tem de ser feita respeitando o prazo da anterior. Portanto, é melhor se evitar parâmetros quando se fala em custo e prazo, para não incorrer em erros.

Como está o emprego deste sistema nas construtoras e nas companhias de habitação?
Várias são as empresas que constroem edificações desse tipo e, inclusive, trabalham com companhias de habitação. Da mesma maneira, são vários os fornecedores de blocos de concreto que vendem o material. Porém, são poucos os que fabricam com qualidade, o que vale um parágrafo à parte. Os blocos devem atender as especificações da ABNT NBR 6136 e, para simplificar esse conhecimento, existe a ferramenta do selo de qualidade da ABCP. A ABCP coleta peças nas fábricas e ensaia de acordo com a norma. Caso a empresa atenda integralmente os requisitos, ela obtém essa certificação. Além disso, tem o PSQ (Programa Setorial de Qualidade) do Ministério das Cidades, onde fornecedores são certificados de acordo com a qualidade dos seus insumos para que os mesmos possam ser utilizados em obras do MCMV, por exemplo.

Entrevistado
Engenheiro civil Alex Maschio, especialista em administração com ênfase em planejamento e gestão de negócios. Atua na ABCP há 10 anos e, desde 2010, é gerente regional Sul da ABCP

Fonte: Altair Santos, Massa Cinzenta.