RCO aproveita câmbio favorável para ampliar presença na Bolívia

Empresa amplia vendas para a construtora boliviana Comercio Y Construcciones HJVA, que já tinha comprado uma central dosadora CDR 30 RS e, agora, adquiriu o Sistema de Descarregamento de Big Bag, com balança, da marca brasileira

Localizada em Puerto Quijaro, no Departamento de Santa Cruz, a construtora HJVA acaba de complementar a compra da central dosadora CDR-30 RS, feita no meio do ano. Agora, a empresa, adquiriu um Sistema de Descarregamento de Big Bag com balança para ser adicionado ao equipamento vendido anteriormente. “O relacionamento começou com uma consulta pela internet e avançou para uma parceria maior”, explica Henry Arza, diretor da Comercio Y Constucciones HJVA.

De acordo com Arza, depois de utilizar a CDR-30 RS, a compra do Sistema de Descarregamento de Big Bag com balança foi facilitada. “Escolhemos a RCO novamente por conta da relação custo e benefício”, explica. “Além disso, percebemos que a tecnologia aplicada da fabricante é ótima, o que reflete na montagem, operação e manutenção”, completa. O executivo salienta que novos negócios devem ser fechados entre a construtora boliviana e a RCO nos próximos anos.

CDR 30 RS

Segundo Carlos Donizetti Oliveira, a negociação confirma o investimento que a empresa brasileira está fazendo na ampliação da marca para os países vizinhos. O passo mais destacado até agora é a participação recente – em outubro – da Conexpo Latin America, no Chile. “O câmbio atual, combinado com nossa tecnologia inovadora, torna o portfólio da RCO interessante para clientes da América Latina”, detalha. O executivo lembra, no entanto, que as exportações envolvem uma atenção especial em relação às questões legais e fiscais, principalmente as especificações alfandegárias de cada país.

Arza também destaca o câmbio atual do Real como um facilitador de importações de produtos fabricados no Brasil. “A HJVA continua crescendo e expandindo com incentivo do governo e do estado, em especial nos últimos quatro meses, favorecida pelo cambio monetário”, diz. “Nossa empresa importou vários equipamentos e máquinas do Brasil”, complementa. O executivo destaca que os investimentos feitos em 2015 têm o objetivo de proporcionar um crescimento de 18% à HJVA em 2016. “Nossa intenção é criar unidades em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, e expandir nossas instalações no Brasil, nas cidades de Corumbá (MS) e Uberlândia (MG)”, conta. Natã Sachetto, consultor Técnico da RCO que atende a empresa boliviana, destaca que o Sistema de Descarregamento de Big Bag com balança tem como características principais a maior agilidade no processo de produção de concreto; menor desperdício de cimento, uma vez que o sistema possui balança para pesagem; economia em mão de obra e na compra de cimento em Big Bags ao invés de cimento ensacado.

Natã Sachetto, consultor RCO

Já a Central Dosadora CDR-30 RS, também conhecida como “tow-go com rasga-saco”, é considerada uma excelente solução com o melhor custo-benefício para a produção de concreto, operando com uma capacidade nominal de 30 m3 por hora e uma produção de 8m3 de concreto por ciclo. “O projeto da central é modular, o que facilita o transporte e a compra, inclusive por clientes de países vizinhos”, explica Sachetto.

Ainda em relação à logística, o consultor Técnico lembra que a RCO mantém um acompanhamento das regras de cada país e que, geralmente, o transporte rodoviário é a forma mais utilizada na América do Sul. “Há situações que o transporte marítimo também pode ocorrer, dependendo do destino e prazo de entrega”, explica. 

BID lança publicação de apoio a alianças público-privadas

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) lançou a publicação Contribuições Setoriais para Promoção de Alianças Público-Privadas para o Desenvolvimento sintetizando as modalidades de apoio oferecidas por ele a projetos que preveem alianças estre os setores público e privado
Com esse material, o BID estaria reconhecendo o papel das Alianças Público-Privadas (APPDs) como uma alternativa para o aumento dos investimentos em infraestrutura e modernização da atuação governamental na prestação de serviços e também para a superação dos desafios de desenvolvimento da América Latina e do Caribe.
A publicação apresenta a maneira como o BID desenha os programas integrados, combinando assistência técnica, empréstimos e produtos não-financeiros, como estudos, pesquisas e avaliações para apoiar projetos na gestão dos três níveis de governo: federal, estadual e municipal.
Fonte: InfraROI

Concreto aditivado tende a conquistar o mercado brasileiro

Rodrigo Gouvea, da Grace

De acordo com Rodrigo Gouvea, supervisor de Laboratório da Grace Constructions Products para a América Latina, a demanda brasileira por aditivos por m³ de concreto ainda é considerada baixa em relação a países como os Estados Unidos. Mesmo assim, o especialista acredita que o mercado brasileira tem espaço para consumir mais desses produtos e alavancar sua comercialização. Na avaliação de Gouvea, a média de consumo está relacionada à cultura dos empreendedores brasileiros, os quais têm optado pelos concretos de menor consistência.

“Nós, da área de tecnologia, precisamos demonstrar as vantagens de se trabalhar com concretos de maior consistência”, reforça. Outra oportunidade de crescimento de aditivos, segundo ele, é a utilização de produtos que aumentam a durabilidade do concreto, caso dos redutores de retração por secagem e dos inibidores de corrosão, entre outros. Gouvea avalia que em 2016 a retomada das obras deve acontecer com mais intensidade. “A demanda de aditivos para concreto acompanha o ritmo do mercado da construção civil, que atravessa uma fase de ajuste nesse ano”, complementa.

Três questões importantes, segundo o especialista:

RCO News: Como esses produtos melhoram a qualidade da mistura final?

Rodrigo Gouvea, da Grace Constructions Products: Os aditivos modificam as propriedades do concreto a fim de melhor adequá-las a determinadas condições. O aditivo polifuncional, por exemplo, é o mais utilizado nas centrais de concreto. Ele ajuda no controle da hidratação do cimento, possibilitando o transporte do concreto por mais tempo sem que ele endureça no caminhão betoneira. Outra característica é que ele também eleva a resistência final do concreto por meio da redução do consumo de água do traço.

RCO News: Qual a importância dos equipamentos, como centrais de concreto, no uso adequado de aditivos para concreto?

Rodrigo Gouvea, da Grace Constructions Products: Para que o aditivo de concreto obtenha o máximo desempenho, é extremamente importante trabalhar com equipamentos de qualidade na central dosadora. Um possível erro na pesagem do traço irá diminuir os benefícios do aditivo, por exemplo, caso a quantidade de cimento inserida no caminhão betoneira seja maior do que a especificada. A dosagem do aditivo será alterada, involuntariamente, pois a dosagem dos aditivos é calculada em cima do consumo de cimento e, como consequência, haverá maior consumo de água para alcançar a consistência especificada.

RCO News: Como esses equipamentos podem contribuir de forma positiva para a melhor administração do concreto?

Rodrigo Gouvea, da Grace Constructions Products: De modo geral, os equipamentos disponíveis no Brasil são de ótima qualidade. Porém, nós vemos a necessidade das centrais dosadoras adquirirem um sistema de controle de umidade instantâneo, no qual a umidade seja corrigida automaticamente pelo sistema.

Sondagem da FGV faz um balanço da indústria de pré-fabricados de concreto

Foto: AEC Web

Pelo terceiro ano consecutivo, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) realiza, por encomenda da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic), uma sondagem entre as associadas da entidade para verificar o desempenho e sondar as perspectivas da indústria de pré-fabricados de concreto no Brasil.

Na sondagem deste ano, cuja coleta de dados foi realizada entre julho e setembro de 2015, as empresas reportaram uma piora em seu desempenho, com redução dos planos de investimentos. Vale lembrar que a sondagem realizada pela FGV junto aos associados da ABCIC em 2014 mostrou uma frustração com os resultados de 2013 e já havia indicado uma queda na intenção de investimento do empresário, resultado que foi associado pelas próprias empresas ao ambiente macroeconômico e à queda na demanda.

De fato, os números apurados em 2015 revelaram que houve diminuição na produção e no número de empregados do conjunto de empresas pesquisadas, repercutindo negativamente na decisão de investir. Na verdade, a queda nos investimentos mostrou-se ainda mais severa que a anunciada no final de 2014. Indiscutivelmente, as empresas de pré-fabricados sofreram o impacto da retração da atividade do principal elo da cadeia e demandante de seus produtos: o setor da construção.

Emprego e produção

No que diz respeito ao total de empregos gerados pelas indústrias de pré-fabricados, a sondagem da FGV constatou que, em dezembro de 2014, as associadas da Abcic registravam um total de 11.295 funcionários, o que representou 1,3% do contingente de trabalhadores da indústria de material e equipamentos e 8,8% do segmento de fabricação de artefatos de concreto. Na comparação com 2013, a redução no estoque de trabalhadores das empresas foi de 6,39%, ficando acima da média da indústria de materiais, que apresentou queda de 2,39% no mesmo período.

A produção de pré-fabricados no ano de 2014, que alcançou a marca de 1.035.628 m3, também encolheu (-3,2%) na comparação com o ano anterior. A produção média foi de 25.891 m3 por empresa. Em 2014, de acordo com o IBGE, a produção de materiais de construção registrou declínio de 5,9%. O desempenho menos negativo da indústria de pré-fabricado se deve à grande diversidade de atuação do segmento, além da garantia de agilidade e qualidade, características inerentes ao segmento das estruturas pré-fabricadas.

A capacidade de produção instalada das empresas de pré-fabricados de concreto teve recuo de 2,6%, passando de 1,678 milhão de m3, em 2013, para 1.635 milhão de m3 no ano passado. Em relação ao declínio, a sondagem faz uma observação, ao notar que as espessuras de lajes e secções de vigas variam de acordo com o projeto, a modularidade estabelecida e a tecnologia empregada. Por isso, é possível ser observada uma diminuição ou um aumento no volume de concreto utilizando os mesmos recursos, o que dificulta o estabelecimento de uma correlação direta entre o volume produzido e a capacidade instalada do segmento.

No que diz respeito ao porte por empregados, predominam as empresas de tamanho médio: 29% das indústrias de pré-fabricados possuíam até 100 empregados, 61% registravam entre 101 a 500 trabalhadores, e 10% contavam com mais de 500 empregados. Em relação à produção, houve aumento nas duas pontas: o percentual de empresas com produção de até 10 mil m3 passou de 39%, em 2013, para 41% no fim de 2014, e o percentual com produção superior a 100,1 mil m3 alcançou 7,7%.

Aporte tecnológico

O levantamento realizado pela FGV também constatou que, em 2014, as empresas de pré-fabricados consumiram 379,3 mil toneladas de cimento e 131,2 mil toneladas de aço. Pelo segundo ano consecutivo, o consumo de cimento caiu (– 10,7%), enquanto o consumo de aço registrou crescimento de 12,6%. Como a produção total de pré-fabricados se reduziu, esse movimento indica mudança tecnológica ou de perfil da produção favorecendo a demanda de aço. Prevaleceu a mudança tecnológica. De fato, em relação ao ano de 2013, a produção de concreto armado, que utiliza mais aço, aumentou, passando de 40,5% para 44,9%.  De todo modo, pode-se notar que o concreto protendido continua a representar a maior parcela da produção.

Na comparação com 2013, cresceram as sinalizações de uso do concreto auto-adensável – passou de 58,1% para 66,7%. No que diz respeito à plataforma BIM (Building Information Modeling), em 2014 observou-se uma mudança marcante em relação ao ano anterior: o percentual de empresas que não conhece a ferramenta caiu de 20,9% para 4,9%.  Vale destacar também o aumento das sinalizações das empresas que conhecem e já implantaram ou que pretendem fazê-lo nos próximos dois anos, que passou de 43,5% para 63,4%.

Em 2014, o percentual de empresas que indicou produzir exclusivamente o concreto protendido retrocedeu para 9,4%. Em 2011, nenhuma empresa assinalou produzir apenas esse tipo de concreto, percentual que chegou a 8% em 2012 e passou para 11,8% em 2013.  Por sua vez, o percentual de empresas com produção integral dedicada ao concreto armado continua se reduzindo a cada ano: era de 26% em 2011, passou para 22% em 2012, para 20% em 2013 e 18,4% em 2014. Por outro lado, vale notar que a ampla maioria das empresas, 82,9% não produz estrutura metálica. Em 2013, esse percentual era de 77%.

Ranking diversificado de obras

Em relação à demanda, em 2015 shoppings e indústrias se mantiveram como os principais destinos das vendas do setor – os shoppings aumentaram sua participação, passando de 20,3% no ano passado para 30,1%. O segmento de infraestrutura, que vinha crescendo, voltou a cair várias posições e em 2015 representou apenas 8,4% da demanda das indústrias de pré-fabricados – em 2014, essa participação alcançou 14,3%. A área de varejo ganhou várias posições e se colocou em terceiro lugar, com 11,9%, atrás de shopping e indústrias. Na sequência, vem centros de distribuição e logística, com 10,9% de participação. Por sua vez, o segmento habitacional se manteve com a menor participação (5,3%).

Assim como nos dois anos anteriores, a sondagem incluiu perguntas relacionadas aos investimentos realizados pelas empresas no ano corrente (2015) e à intenção de investir em 2016. Dessa vez, foram introduzidas questões para captar a percepção das empresas em relação ao desempenho da produção em 2015, assim como as expectativas em relação a 2016. A percepção dominante é de que houve queda em 2015: 30% das empresas indicaram redução na produção, enquanto para 12,5% houve aumento.

Com a queda na produção, os planos de investimentos se alteraram. De fato, houve uma mudança significativa na comparação com as intenções indicadas na pesquisa realizada em 2014. O mesmo percentual de empresas apontou elevação e redução dos investimentos em capital fixo, portanto, o saldo foi zero, o que significa que não deve ter ocorrido aumento dos investimentos para o conjunto das empresas em 2015. Na pesquisa realizada no ano anterior, mais empresas apontavam intenção de elevar seus investimentos, resultando em uma diferença positiva de 15,5 pontos percentuais.

Essa deterioração foi generalizada entre os diversos setores da economia, tendo atingindo mais fortemente a indústria de transformação. A sondagem da FGV realizada no 3º trimestre de 2015 apontou que um maior número de empresas indicou ter diminuído seus investimentos nos últimos 12 meses – saldo negativo foi 11 pontos percentuais. Entre as empresas da indústria de materiais de construção pesquisadas essa diferença foi ainda maior, de 20 pontos percentuais.

Os investimentos das empresas de pré-fabricados foram realizados principalmente na aquisição de equipamentos para produção (58,3%), seguidos pela ampliação da área de produção (38,9%), ampliação da área de estocagem (33,3%) e ampliação de galpões e obras civis (30,6%). As empresas atribuíram as dificuldades de investir principalmente às incertezas da política econômica, mas também teve destaque o baixo patamar da atividade da construção e, portanto, da demanda por produtos do setor.

A despeito dessas incertezas, um maior número de empresas de pré-fabricados ainda espera aumento da produção em 2016. A diferença entre as que esperam aumentar ou aumentar muito e as que acreditam que a produção vai cair ou cair muito é positiva, embora pequena – de 5 pontos percentuais.

No entanto, no que diz respeito aos investimentos, um maior número assinalou intenção de reduzi-los em 2016: diferença de – 17,5 pontos percentuais. Na sondagem da indústria transformação realizada em outubro, a intenção de reduzir os investimentos nos próximos 12 meses superou a de elevar em 14 p.p. Na indústria de materiais, a diferença foi 13 p.p em favor das empresas que reduziram seus investimentos.

BOX – Quem é a Abcic

A Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto foi fundada em 2001, com o objetivo de difundir e qualificar os pré-moldados de concreto destinados às estruturas, fachadas e fundações.

Com aproximadamente 100 associados, promove ações e iniciativas para o desenvolvimento do setor, como por exemplo, o Selo de Excelência ABCIC, programa que atesta a conformidade aos padrões de tecnologia, qualidade, segurança, meio ambiente e desempenho das empresas do setor de pré-fabricados, o Prêmio Obra do Ano em Pré-Fabricado, que prestigia empresas e profissionais do setor, e o Anuário ABCIC, com informações mercadológicas, técnicas e políticas da industrialização na construção.

Possui uma integração com prestigiadas entidades nacionais e internacionais, como é o caso da fib – Fédération Internationale du Béton, além de realizar cursos de capacitação profissional e de participar de importantes eventos no Brasil e no exterior.

Fonte: assessoria de imprensa da Abcic

Norma NBR 12655 é essencial para a qualidade das construções brasileiras, diz especialista

Arnaldo Battagin

Em outubro, a ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) organizou um seminário com o tema “Desafios do Projeto, Produção e Aplicação do Concreto”. Um dos temas em destaque no evento foi a importância da norma NBR 12655, criada há cerca de 10 meses, para o mercado concreteiro. Arnaldo Battagin, geólogo e diretor de laboratórios da ABCP, foi um dos palestrantes do evento e concedeu uma entrevista sobre o tema.

O que a ABNT NBR 12655:2015 regulamenta e o que ela trouxe de novidade?

Battagin - A ABNT NBR 12655 estabelece requisitos para a composição, o preparo, o controle tecnológico do concreto nos estados fresco e endurecido e os critérios para aceitação e recebimento do concreto nos locais previstos para sua aplicação. Essa norma se aplica aos concretos de massa específica normal, aos pesados ou densos e também aos concretos leves. Ainda quanto ao campo de aplicação, o concreto pode ser usado em estruturas moldadas na obra, estruturas pré-moldadas ou componentes estruturais pré-fabricados para edificações e estruturas de engenharia. Estão fora do escopo da ABNT NBR 12655 o concreto massa, os concretos aerados, os espumosos e aqueles com estrutura aberta (sem finos).

Nesta versão de 2015, a norma foi atualizada e foram feitos ajustes:

1 – Nas definições dos termos utilizados, que foram compatibilizadas com outras normas que complementam a ABNT NBR 12655;

2 – No estabelecimento de requisitos para o controle tecnológico dos componentes do concreto, passando a ser referenciadas as normas respectivas a cada um dos materiais. Com isso, foi automaticamente cancelada a antiga ABNT NBR 12654;

3 – Nos critérios de aceitação e recebimento do concreto nas obras, sendo esclarecidos alguns conceitos e melhorada a redação para facilitar o entendimento e a aplicação da norma. O título e o escopo da ABNT NBR 12655 foram modificados, sendo explicitamente introduzida a operação de aceitação do concreto, que conceitualmente corresponde ao cumprimento a todos os requisitos normativos estabelecidos para o concreto. O recebimento é a etapa que antecede a aceitação definitiva do concreto, correspondendo ao cumprimento das propriedades  no estado fresco (geralmente abatimento)  e nos casos de  concreto dosado em central também a aprovação da documentação que acompanha a entrega do concreto. Em casos de não conformidade dos resultados obtidos no controle tecnológico em corpos de prova moldados para essa finalidade, passou a ser referenciada a ABNT NBR 7680, que prevê a extração de testemunhos da estrutura, determinação das resistências obtidas e análise interpretativa desses resultados, desde que estudos prévios ligados à segurança estrutural justifiquem a real necessidade das extrações.

4- Nos requisitos de durabilidade, com a revisão daqueles introduzidos na versão de 2006 da norma, e com a incorporação, nesta nova versão de 2015, de um anexo informativo que trata dos cuidados a serem tomados nas fases de projeto e execução de estruturas sujeitas à ação de águas agressivas, para garantir sua durabilidade (caso de elementos enterrados de concreto, como as fundações).

A ABNT NBR 12655:2015 incorporou as inovações já normalizadas no campo do concreto nos últimos anos, referenciando a ABNT NBR 15823, para o concreto autoadensável, a ABNT NBR 15900, para a água de amassamento do concreto, e as normas brasileiras específicas para materiais que podem ser utilizados na composição do concreto, como a sílica ativa (ABNT NBR 13956:2012), o metacaulim (ABNT NBR 15894:2010) e outros materiais pozolânicos (ABN TNBR 12653:2014).

Na prática, com esta norma, o que mudou na vida do projetista e do gerente de obras?

Battagin - A ABNT NBR 12655 orienta os profissionais responsáveis pelas obras de concreto sobre as melhores práticas, dentro de seu escopo, desde sua primeira edição, em 1992. Nesta nova versão foi atualizado o conteúdo da norma, sem mudanças expressivas na relação entre os profissionais envolvidos com o tema. Vale informar que, para facilitar a verificação do cumprimento das exigências previstas na ABNT NBR 12655, decidiu-se estabelecer o prazo de cinco anos para o arquivamento de documentos comprobatórios das exigências da norma, como os dados do controle tecnológico do concreto, por exemplo, em lugar de referir à legislação vigente, que certamente deverá ser cumprida, mas pode não ser suficientemente específica.

A nova NBR 12655 substitui a atual NBR 12654 – Controle Tecnológico de Materiais Componentes do Concreto – Procedimento. Por que essa substituição?

Battagin - Como já mencionado, a ABNT NBR 12655:2015 passou a referenciar as normas dos materiais que entram na composição do concreto, pois essas normas brasileiras foram revisadas e estabelecem como deve ser realizado o controle tecnológico de cada material especificamente, tornando desnecessária a ABNT NBR 12654, cujo conteúdo, além de repetitivo, estava desatualizado.

A NBR 12655 pode ser considerada uma das normas-mães do concreto?

Battagin - No campo da tecnologia do concreto, a ABNT NBR 12655 é a referência maior no Brasil. Vale lembrar que, inicialmente, parte do conteúdo da ABNT NBR 12655 constava das primeiras versões da antiga NB-1 (Projeto e execução de obras de concreto armado), que hoje é a conhecida ABNT NBR 6118 (Projeto de estruturas de concreto). Com o passar dos anos, o aumento da complexidade das obras e, por consequência, das exigências normativas, decidiu-se separar os documentos relativos a projeto (ABNT NBR 6118) daqueles que tratam da execução das estruturas (ABNT NBR 14931) e do controle tecnológico do concreto (ABNT NBR 12655).

 

Existem pontos na NBR 12655 que precisarão ser ainda melhorados? Isso será feito numa futura revisão?

Battagin - As normas técnicas são o registro do consenso social acerca do avanço científico e tecnológico de um país, em um determinado momento da história. Por esse motivo são evolutivas e devem ser revisadas periodicamente, para que permaneçam atualizadas. Certamente a ABNT NBR 12655 será objeto de futuras revisões, dada sua importância e a necessidade de acompanhar os avanços do concreto e suas aplicações.

Para o mercado que produz concreto, o que muda na prática com a nova NBR 12655? 

Battagin - Para aqueles que já utilizam a norma, não haverá mudanças significativas. Há, no entanto, a necessidade de divulgar e apresentar as vantagens de conhecer e seguir as normas técnicas brasileiras, que geram conhecimento técnico, diminuem desperdícios, facilitam a negociação de bens e serviços, pois melhoram o entendimento entre as partes envolvidas, além de trazerem segurança a produtores e consumidores.

Entrevista realizada pela ABCP e divulgada no link: http://www.abcp.org.br/conteudo/imprensa/abcp-promove-seminario-dia-15-de-outubro

Setor lança Frente Parlamentar da Construção

Movimento tem adesão de 62 parlamentares e de 70 entidades da construção

Foto: ABCP

O Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Fiesp, em parceria com a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, lançou nesta segunda-feira, 30 de novembro de 2015, a Frente Parlamentar da Indústria da Construção.

A iniciativa terá como objetivo fortalecer a cadeia produtiva, por meio da sustentação dos investimentos em infraestrutura e desenvolvimento urbano, visando assegurar o equilíbrio entre o poder público e a iniciativa privada, trazendo a ambos segurança jurídica, previsibilidade e garantias.

A Frente Parlamentar será presidida pelo deputado Itamar Borges (PMDB) e terá dois grupos de trabalho: um com foco em desenvolvimento urbano, coordenado pelo deputado estadual Antonio Ramalho (PSDB), e o outro dedicado à infraestrutura econômica, com a coordenação do deputado estadual Ricardo Madalena (PR-SP).

As pautas prioritárias que serão tratadas pela Frente Parlamentar são:

  • Viabilizar as propostas do Programa Compete Brasil, da Fiesp;
  • Implementar ferramenta de acompanhamento de obras emblemáticas;
  • Estimular a adoção do conceito Modelagem de Informação da Construção (BIM);
  • Implantar o Sistema Integrado de Licenciamento de Obras nas cidades paulistas (SILO);
  • Padronizar os códigos de obras municipais;
  • Reduzir o fator acidentário de prevenção (FAP / RAT);
  • Simplificar o regime de substituição tributária para materiais de construção;
  • Promover a segurança em edificações.

Fonte: Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP)

ABCP faz chamada de trabalho para o 7º Congresso de Cimento

Prazo para envio de resumo dos artigos acaba dia 7 de dezembro.Os melhores serão apresentados durante o 7º Congresso Brasileiro de Cimento

A Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) convida pesquisadores e profissionais da área do cimento para a chamada de trabalho do 7º Congresso Brasileiro de Cimento (7º CBCi), evento que acontece de 20 a 22 de junho de 2016, em São Paulo.

Os interessados têm até o dia 7 de dezembro para enviar os resumos dos trabalhos técnico-cientificos cujos temas estão relacionados ao congresso de 2016. Os trabalhos serão submetidos a uma comissão técnica, que fará a seleção daqueles que serão apresentados em plenária para a comunidade nacional e internacional da indústria cimenteira presente no 7ºCBCi.

As inscrições e demais informações sobre a chamada de trabalho e sobre 7ºCBCi estão disponíveis no site do evento www.7cbci.com.br

Datas estabelecidas para o 7º CBCi 2016

07/12/2015 - Envio de Resumos

15/12/2015 – Comunicação de Aceitação dos Resumos

11/03/2016 – Envio dos Artigos

08/04/2016 – Comunicação de Aceitação dos Artigos e eventual solicitação de revisão

03/05/2016 – Envio pelos autores do artigo revisado para publicação

18/05/2016 – Envio da apresentação em Power Point

Fonte: Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP)

Brasil pode aumentar consumo de aditivos de concreto

Especialista em aditivos para concreto, ouvido pela RCO News, confirma que o Brasil tem potencial para aumentar o consumo de aditivos. Para ele, o uso de equipamentos corretos, caso das centrais dosadoras, também contribui para isso

Shingiro Tokudome, Gerente Executivo da unidade de negócios MC para Indústria de Concreto da MC Bauchemie, acredita que o Brasil tem espaço para consumir mais aditivos. Para o especialista, o país apresenta a característica de sempre estar aberto às inovações e, portanto, o consumo sempre estará alinhado aos aditivos utilizados internacionalmente em variedade e quantidade. “Quanto mais o mercado consumir concreto, mais crescerá o uso de aditivo”, argumenta.

Outro ponto destacado pelo executivo é a avaliação sobre a evolução da tecnologia de aditivos. Para Tokudome, o produto do tipo mid-range ou intermediário, composto por dispersantes poliméricos desenvolvidos via modelagem computadorizada, destaca-se como aplicação de alto nível. O especialista lembra que esse tipo de insumo oferece alta redução de água e mantém a consistência personalizada, de acordo com a necessidade da obra. Ele ainda ressalta a excelente manutenção da trabalhabilidade que aditivos mid-range conferem ao concreto e à possibilidade de poderem ser usados na própria central de concretagem. Para ele, trata-se da solução mais apropriada para atender a NBR 8953/2015 no quesito abatimento do concreto de classe S100, S160 e S220.

Três questões importantes, segundo o especialista em aditivos

RCO News: Como esses produtos melhoram a qualidade da mistura final?

Shingiro Tokudome, da MC Bauchemie: Os aditivos atuam com várias funções, como controle de tempo de pega e consumo racional de aglomerantes. Também permitem alcançar resistência mecânica inicial e final de acordo com a especificação. Além de influenciarem na melhoria da trabalhabilidade e no controle da manutenção do abatimento “slump”. Outro ponto positivo é o controle térmico da hidratação do concreto, redução da água de amassamento (muito importante para o momento atual de estiagem) e atendimento de projetos com especificações exigentes, diminuindo a porosidade do concreto e aumentando sua durabilidade. Na produção do concreto, ele facilita a homogeneização dispersando melhor os finos, permite estender o tempo de transporte mesmo em climas quentes e melhora o processo de bombeamento. Os aditivos conferem ainda rapidez na concretagem.

RCO News: Qual a importância dos equipamentos, como centrais de concreto, no uso adequado de aditivos para concreto?

Shingiro Tokudome, da MC Bauchemie: Os equipamentos são muito importantes na garantia do melhor desempenho do aditivo no concreto. Uma vez que a central está preparada com sistemas de dosagens de aditivos com baixa tolerância de erro, ela permite a fabricação do concreto mais homogêneo entre uma carga e a outra. No quesito misturadores ou caminhões betoneiras, quanto mais compatibilizado estiver a energia de homogeneização do equipamento com a característica do concreto, maior será o aproveitamento da capacidade de dispersão dos aditivos.

RCO News: Como esses equipamentos podem contribuir de forma positiva para a melhor administração do concreto?

Shingiro Tokudome, da MC Bauchemie: Neste quesito, acredito que os equipamentos de dosagem existentes no mercado, principalmente os gravimétricos, atendem muito bem as necessidades atuais. Com relação aos misturadores ou caminhões betoneiras, a manutenção preventiva sempre irá contribuir para um menor desvio padrão na produção do concreto permitindo trabalhar com dosagens de concreto mais racional.

Areia de brita: uma oportunidade que merece atenção

A busca por formas econômicas e eficientes para produzir areia de brita está aumentando, à medida que os depósitos de areia natural localizados próximos de centros em crescimento estão se esgotando e as leis ambientais ficam mais exigentes. Ao mesmo tempo, muitos produtores de agregados estão estudando a possibilidade de produzir areia de brita e tratar as crescentes pilhas de resíduos das pedreiras que contém considerável proporção de agregados finos comerciais

Existe uma solução que beneficie todas as partes envolvidas? Rolands Cepuritis, um especialista do uso de areia triturada na produção de concreto, e Tero Onnela, Especialista de Processo de Trituração da Metso, examinam a questão em profundidade.

A AREIA DE BRITA PODE SUBSTITUIR A AREIA NATURAL EM UMA SÉRIE DE APLICAÇÕES

A areia —independentemente de ser extraída de brita natural ou de depósitos de areia, ou ser produzida com rochas sedimentares trituradas— é usada em diversas aplicações graças às suas qualidades minerais e físicas. A aplicação mais comum da areia é o concreto, composto por cerca de 30-40% do volume de material.

Tero Onnela insiste no ponto básico: “O concreto é o material mais comum produzido pelo homem; pode ser encontrado em qualquer lugar. É um elemento essencial na construção de infraestruturas e no setor da construção. Uma grande parte da rede de rodovias dos EUA foi construída em concreto durável que suporta o tráfego pesado e as mudanças das condições meteorológicas. As barragens —como a Barragem das Três Gargantas, na China, onde o equipamento de britagem da Metso foi utilizado para produzir agregados— constituem as maiores estruturas construídas com concreto.

A AREIA NATURAL É UM RECURSO CADA VEZ MAIS ESCASSO

“O asfalto, comum na construção de estradas e rodovias, é a segunda aplicação mais importante. Há também os conhecidos agregados funcionais usados, por exemplo, para a purificação da água em estações de tratamento, campos de golfe e silos, em parques infantis, campos de equitação, assim como rodovias e calçadas em lugares expostos a gelo e neve para prevenir deslizamentos e derrapagens. Em todas essas aplicações, é possível substituir a areia natural pela areia de brita e até mesmo melhorar as propriedades do produto final”.

O uso de areia natural é regulamentado por lei em muitos lugares e totalmente proibido em outros, como Japão. Alguns países, incluindo a Suécia, apelam para o uso de areia de brita ao invés de areia natural sempre que possível. Na Austrália e no Brasil, as restrições para obter as licenças também estão aumentando. A extração ilegal de areia está se tornando um problema em alguns países em desenvolvimento, onde a demanda é muito alta e a fiscalização é ineficiente. A venda de areia é considerada uma maneira rápida de obter dinheiro com pouco investimento —tudo o que se necessita é um caminhão, um motorista e um lugar de onde extrair a areia. Esta é uma das razões pelas quais a Índia, entre outros, estabeleceu uma política de areia para estimular a criação de novas unidades de produção de areia artificial, facilitando o processo de permissões para novas pedreiras. “Eu diria que há três categorias de países. Veja, por exemplo, a Suécia, onde existe um imposto especial para a brita natural que regula a extração de areia. Outros países europeus restringem a abertura de novos poços através de outros meios. E há países, como a Índia, Singapura e Malásia, que enfrentam enormes problemas com recursos de areia natural esgotados ou que estão diminuindo rapidamente. Nesses países, a areia é extraída de poços abertos, de praias, de dunas interiores e dragada dos leitos do mar e rios. A legislação nem sempre está atualizada ou simplesmente não é efetiva”, assinala Rolands Cepuritis.

AREIA DE BRITA NA PRODUÇÃO DE CONCRETO

Atualmente, Rolands Cepuritis está finalizando sua tese de doutorado em Desenvolvimento de areia de brita para a produção de concreto com microproporção. Ele tem uma clara visão de por que a areia de brita é adequada para a produção de concreto:

“Os fabricantes de concreto precisam de margens de segurança mínimas na resistência à compressão de seus produtos. Quanto maior for a variabilidade das matérias-primas, maior será o conteúdo de cimento necessário para manter o nível dessas margens. Assim, o custo das matérias-primas de qualidade e variabilidade inferiores pode ser comparável ao custo de materiais de qualidade variável. Com a areia de brita produzida através de um processo de engenharia controlado, é possível obter uma qualidade estável. É muito mais difícil controlar a variabilidade da areia natural, especialmente se a areia não for lavada”, diz.

No entanto, nem sempre é viável lavar a areia devido a problemas como falta de espaço, disponibilidade de recursos hídricos, questões ambientais derivadas da drenagem de tanques e problemas operacionais em lugares expostos a temperaturas de congelamento, por exemplo, nos países nórdicos. “Há também outros benefícios técnicos diretos do uso de areia de brita. Por exemplo, os grãos de areia natural são arredondados como resultado do desgaste natural, e as partículas de areia de brita são tipicamente angulares e têm textura mais áspera em sua superfície, permitindo melhor ligação com a pasta de cimento no concreto e oferecendo, assim, melhores propriedades de resistência para o mesmo consumo de cimento (relação água/cimento constante)”.

Quando se desenvolve um produto de concreto com areia natural, as oportunidades de melhora são escassas. Mas com a areia de brita há muito mais oportunidades: existe uma ampla gama e você pode encontrar a que melhor se adapte aos diferentes tipos de concreto. Um obstáculo totalmente diferente é a aceitação do uso de areia de brita na composição mista. Por exemplo, em Queesland, Austrália, ainda se requer que 40% dos agregados finos usados em uma composição mista de concreto seja de areia natural. Isto deverá mudar no futuro para refletir o declínio da disponibilidade de recursos e melhorar a oferta de produtos de areia de brita de alta qualidade.

ARGUMENTOS ECONÔMICOS?

A legislação e a disponibilidade de areia natural definem o preço da areia e, consequentemente, a rentabilidade. Também há custos associados à obtenção de licenças, que podem inviabilizar economicamente a extração do recurso. “Os custos de transporte das pedreiras têm contribuição significativa no custo total do produto para o usuário final. Se o produto final tem valor superior, como no caso da areia de sílica para a fabricação de óculos, custos mais altos de transporte podem ser aceitáveis. Produtos de areia com grandes volumes e margens inferiores constituem uma situação diferente. A planta de produção de areia necessita estar próxima de onde ela será utilizada”, explica Onnela.

“Isso significa muito em termos de economia de escala. Se você dispõe de um bom areeiro no lugar onde a areia será usada, você simplesmente peneira a areia no lugar correto. Com a areia de brita, você precisa considerar muitos outros aspectos. A trituração de rocha sedimentar tem custos de produção mais altos e há custos adicionais envolvidos. Entre 30-40% — e algumas vezes até 50%— da rocha triturada pode acabar indo para a pilha de resíduos da pedreira. Quanto menor for o tamanho da partícula e mais suave o material extraído, maior será o volume de resíduos gerados. Para melhorar a rentabilidade, você precisa reduzir a quantidade de resíduos ou pensar em novos usos para os finos”, esclarece Onnela.

“As partículas inferiores a 4 mm são, com frequência, consideradas resíduos, isto é, não são suficientemente boas para qualquer finalidade. Normalmente, o material é empilhado e, cada vez mais, os produtores têm de pagar taxas de resíduos por suas pilhas. Se os finos pudessem ser usados e vendidos para outros fins, todas as partes seriam beneficiadas. Na Finlândia, este tipo de resíduo de pedreira pode ser parcialmente usado no revestimento de superfícies de caminhos e pátios. De acordo com Onnela, elaborar um argumento econômico depende muito de como o setor desenvolve e adapta as propriedades técnicas da areia de brita para diferentes aplicações. Trata-se também, em boa medida, de educar e convencer as partes interessadas sobre as boas qualidades da areia de brita para que ela seja aceita e amplamente adotada. Naturalmente, o preço deve ser competitivo.

“É possível usar a maioria das rochas para a produção de concreto. É necessário que a rocha tenha um certo grau de dureza. Um dos maiores inimigos é o alto conteúdo de mica, cuja remoção é difícil e cara. A questão é: como está o mercado? Há muita concorrência? Em outras palavras, há muita areia disponível a um preço razoável?”,diz. “A qualidade da areia natural varia mais do que a areia produzida em processo industrial. A qualidade consistente é uma característica típica da areia de brita. Os fabricantes de concreto se beneficiam do uso de areia com qualidade estável porque ela lhes permite usar menos cimento, normalmente entre 5-20% menos. A redução do uso de cimento também favorece o meio ambiente através da redução das emissões de CO2”, continua Onnela. Cepuritis aborda o problema com um exemplo ilustrativo:

“Vou citar, como exemplo, um caso da Noruega. Neste caso, a distância de transporte é curta, menos de 40 quilômetros —tanto para a areia industrial como para a natural. O preço da areia natural de alta qualidade é 80-85 NOK por tonelada, e o preço da areia de brita como um subproduto da produção de agregados graúdos é 30-35 NOK. Há espaço para investir recursos na melhora da qualidade. Para adicionar um britador VSI, você deveria incluir 10 NOK nos custos de produção, e para a classificação de finos, outros 10 NOK. Isto permitiria obter um produto com uma margem de lucro mais alta. No entanto, não é tão simples: você também deve ser capaz de investir recursos consideráveis no desenvolvimento de todo o processo. O produtor necessita trabalhar junto com o cliente e entender suas necessidades —e praticar vendas técnicas em um nível totalmente novo que, em geral,  não é comum no mercado de agregados. É, ao mesmo tempo, um desafio e uma oportunidade”. A pedreira Velde Pukk, em Sandnes, Noruega, é um bom exemplo de como aproveitar ao máximo as matérias-primas disponíveis. “Eles operam em pedreiras, perfuração de rochas, transporte, concreto pré-misturado, decapagem de superfícies, aterros sanitários, produção de asfalto e pavimentação, além da reciclagem de concreto e asfalto”, observa Onnela.

A ESCOLHA DA TECNOLOGIA CORRETA

“A produção de areia de brita é normalmente um processo muito mais complexo do que a simples extração de areia natural. As plantas de areia de brita autônomas são raras e a produção está, normalmente, integrada na produção de agregados”, explica Cepuritis. “O layout exato de uma planta de britagem pode variar. O processo de produção normalmente envolve diversos estágios de redução de tamanho, incluindo britagem, transporte, controle de tamanho e equipamento de classificação”.

“Em termos de equipamento, toda a tecnologia necessária já está lá. A Metso tem um amplo conhecimento nessa área e pode fornecer critérios valiosos para os clientes que estejam considerando a fabricação de areia de brita”, diz Onnela.

“Estamos desenvolvendo novas soluções. O maior problema é a tecnologia dos materiais para concreto. Até agora, todos os manuais têm sido escritos assumindo como norma o uso de areia natural. Os técnicos não conhecem suficientemente o novo material britado ou como otimizar seu uso. Ao longo dos últimos anos foram feitas inúmeras pesquisas, mas elas não têm sido muito aplicadas”conta o especialista.

“Se você quer desenvolver um produto de areia de brita na pedreira, você deverá ter um bom conhecimento do material final, ou seja, o concreto. Não se trata de simplesmente dar uma amostra ao cliente final —ele fará testes com o conhecimento atual e, em muitos casos, falhará. Ao invés disso, é necessária uma abordagem de venda técnica muito mais direta para educar o cliente quanto às possibilidades do novo material e conduzir ensaios de laboratório juntos – da mesma forma que, por exemplo, são vendidos os aditivos para o concreto”, conclui Cepuritis.

AREIA MANUFATURADA OU AREIA DE BRITA?

Areia manufaturada, areia industrial, areia de brita, areia enriquecida, areia projetada e areia artificial são nomes usados para falar sobre os substitutos da areia natural.

De acordo com Rolands Cepuritis, areia manufaturada é provavelmente o termo mais popular, com a típica definição de um material entre 0/2 mm, 0/4 mm ou algumas vezes de 0/8 mm processado a partir de rocha ou brita triturada e destinado para a construção civil para diferenciá-lo dos finos de pedreiras. No entanto, não existem critérios quantitativos universalmente aceitos que definam quando a areia melhorada de finos de pedreiras se torna areia manufaturada. Cepuritis recomenda areia de brita como o melhor nome para todos os agregados finos para concreto com um tamanho máximo de 8 mm e produzidos pela britagem de rocha ou brita dura. Isto inclui todos os tipos possíveis de agregados finos produzidos pela britagem de rocha e facilitaria o uso de critérios baseados no desempenho para entender a qualidade da areia de brita atual, ao invés de termos qualitativos, como areia de qualidade manufaturada.

*Este material foi retirado da revista Results Minerals + Aggregates, produzida pela Metso.

Sobre a Metso

A Metso é líder no fornecimento de desempenho de processos, com clientes nos setores de mineração, construção, e petróleo e gás. Possuímos soluções e serviços de ponta para melhorar a disponibilidade e a confiabilidade no processamento de minerais e controle de vazão, proporcionando melhorias no processo e lucro sustentáveis. As ações da Metso estão listadas na bolsa de valores de NASDAQ OMX Helsinki LA Metso emprega cerca de 16.000 profissionais em 50 países. Expect results.

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Gestão Urbana: “Curitiba, a experiência em gestão urbana” abre inscrições

Ciclo de palestras será realizado no próximo dia 6 de novembro. Número de vagas é limitado a 300 pessoas

Criada em 2010 com o objetivo de informar estudantes e fomentar o interesse pela realização de trabalhos e pesquisas de meio ambiente, planejamento urbano e administração pública, a rodada de palestras “Curitiba, a experiência em gestão urbana” acaba de abrir as inscrições para a edição de 2015. Os interessados podem fazer o registro gratuitamente pela internet, mas vale ressaltar que o número de vagas é limitado a 300 participantes.

Organizado pela Urbs, Secretaria Municipal do Meio Ambiente e os Institutos de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippuc) e Municipal de Administração Pública (Imap), o evento contará com a apresentação de três palestras que apresentam as ações de Curitiba nas áreas de Planejamento Urbano, Meio Ambiente e Transporte Público.

Serviço

Para fazer a inscrição pela internet, acesse o endereço: http://aprendere.curitiba.pr.gov.br/cursos/inscricao/37416.

Para informações ou em caso de qualquer dificuldade para fazer a inscrição entre em contato pelos telefones (41) 3350-9584; 3350-9562; e 3350-9597.

Fonte: InfraROI