Papel dos aditivos minerais de alto desempenho cresce na produção de concreto

A possibilidade de melhorar o concreto com a adição de aditivos de alta performance tem sido um objetivo constante de quem participa desse mercado. Para entender como a área de aditivos de concreto participa dessa busca e quais tecnologias são aplicadas atualmente, o informativo da RCO conversou com falou com o engenheiro eletrônico Flávio Frascino. Especialista no assunto, ele é executivo da Active Minerals International e, nessa entrevista, aponta as tendências do segmento para os próximos anos e como todos os envolvidos na cadeia de produção de concreto podem aproveitar as vantagens da utilização de aditivos minerais.

Informativo: De forma geral, quais aditivos são usados na produção de concreto?

Flávio Frascino: os mais bem sucedidos no mercado são aqueles classificados como “materiais cimentícios suplementares”. Esses aditivos minerais, dependendo da aplicação, têm a capacidade de substituir uma parte do teor de cimento. Microsílica e metacaulim são os mais conhecidos, agregando-lhe novas propriedades. Outra opção seria o aditivo Acti-Gel, produzido pela Active Minerals – trata-se de uma solução que melhora o desempenho do concreto, fluindo mais rapidamente e com estabilidade. Ele tende a otimizar o processo de homogeneização do traço de concreto, além de utilizar princípios básicos da antissegregação e tixotropia.

Informativo: Quais ganhos o uso de aditivos acrescenta à produção de concreto?

Flávio Frascino: os aditivos são pensados para trazer duas vantagens principais: preço menor ou desempenho melhor. Acredito que a maior vantagem que vimos para a indústria de concreto nos últimos 20 anos é a invenção e implementação dos redutores de água a base de policarboxilato. Eles mudaram o jogo, proporcionando redução maior de água juntamente com a facilidade de manuseio – e isso a um custo decente. Agora, no entanto, o setor está inaugurando uma nova área de concreto com base no desempenho. Nesta fase, são inseridos os modificadores de reologia nos projetos que buscam ganhos significativos no processo, redução de mão de obra e, eventualmente, de cimento em operações específicas de concreto como as autonivelante, augerpilling, shotcrete e pré formados.

Informativo: Quais os avanços mais recentes nessa área e quais inovações destacaria?

Flávio Frascino: a tecnologia de modificadores de reologia, citados anteriormente, está entre os mais recentes avanços. Já a primeira geração e, principalmente, a segunda geração de aditivos químicos, são mais focados na redução da quantidade de água necessária para fazer concreto. Essa diminuição ajuda o concreto a ficar mais forte e menos susceptível a fissuras.

Informativo: Em termos de tendência, o que pode ser destacado?

Flávio Frascino: acredito que o aumento de pesquisas por outros materiais, que não a atapulgita nos modificadores de viscosidade, deve impulsionar as pesquisas e aplicações no setor.

Pesquisa da RCO aponta principais erros de operação em centrais de concreto e silos de armazenamento de cimento e de agregados

Empresa realizou levantamento em 108 plantas no Brasil, que adotam equipamentos da marca e ouviu quase uma centena de profissionais. O resultado é uma radiografia da operação e uma orientação personalizada para evitar erros em campo

A RCO, fabricante nacional de centrais dosadoras, silos verticais e horizontais de concreto, acaba de fechar uma primeira fase do Serviço Ampliado Direcionado (SAD), seu programa de pós venda. Com a iniciativa, 99 clientes foram visitados até o final de abril desse ano, totalizando 108 plantas. Nos locais, equipamentos como centrais de concreto, silos de armazenamento e sistemas de transporte foram detalhadamente avaliados. Outra ação envolveu a entrevista pessoal com os responsáveis pelas empresas e com os técnicos especializados. Do total de empresas, 65% são concreteiras e 30% são companhias fabricantes de pneus. Os 5% restantes pertencem aos setores alimentício e de cosméticos.

“As visitas serviram para realizar um levantamento dos problemas técnicos enfrentados em campo e como eles podem ser endereçados pela nossa área de engenharia”, explica Zulli, Gestor de atendimento ao cliente (SAD). De acordo com ele, as visitas são a base do banco de dados que a empresa já criou e que vai mapear os principais pontos de atenção nos equipamentos operados com a marca RCO. “Na verdade, a base de dados vai funcionar como um índice de como as centrais de concreto, silos e sistemas de transporte operam”, complementa. “Nossa ideia é criar um índice de referência para o setor e criar um roteiro de resolução de problemas para os casos onde as máquinas não têm sido adequadamente operadas”, complementa.

Zulli também lista o plano de ações elaborado pela RCO para atender as demandas de campo observadas na pesquisa. “A partir de agora devemos levantar os pontos mais críticos apresentados por nossos clientes e implementar um plano de ação com o objetivo de suprir as falhas apresentadas – nesse caso, estimulando receita e venda de novos produtos”, explica. Além disso, as novas medidas envolvem o planejamento para a criação do chamado Kit Emergencial: serão três tipos diferentes de kits com planilhas e recursos que auxiliam os próprios proprietários na hora de fazer a manutenção preventiva dos equipamentos já instalados.

As recomendações gerais para a operação correta das centrais de concreto

De acordo com Zulli, a experiência da RCO em campo mostra que vários pontos de operação devem ser observados pelos operadores de centrais de concreto. Entre as recomendações gerais, ele cita a atenção para a falta de manutenção em filtros de cartuchos. Segundo o especialista, a limpeza deve ser feita de acordo com o manual do equipamento e, se for o caso, deve-se substituir os cartuchos.

Outro ponto é a manutenção e limpeza na válvula de subpressão, assim como o controle da lubrificação dos mancais, que nunca podem ficar sem esse processo. No caso das válvulas, a atenção deve ser concentrada no excesso de umidade, principalmente na válvula da balança de cimento, o que pode ocasionar o travamento do dispositivo.

O entupimento dos dutos pneumáticos de acionamento dos aeradores é outro problema comum na operação incorreta de centrais de concreto, assim como o desalinhamento da correia dos transportadores. Já o travamento em roletes, igualmente comum, precisa de uma ação imediata: substituir os dispositivos deficientes e fazer a análise posterior dos mesmos para entender as razões do problema.

Uma ocorrência comum, não diretamente relacionada às centrais, mas que as afeta acontece quando o operador da pá-carregadeira que abastece a balança de agregados faz uma manobra indevida. “O problema ocorre quando a roda da máquina toca a  estrutura das centrais, o que pode levar à desregulagem das células de carga que fazem parte da balança”, detalha.

No caso específico dos silos, Zulli chama a atenção para a ausência de limpeza em filtros e válvulas. “A manutenção preventiva evita esse problema”, argumenta.

Tabela – o que se observar em cada componente da central de concreto

Silos: limpeza e verificação geral mensal de filtros e válvula de subpressão.

Aeradores: verificação semanal de todo sistema pneumático (dutos) e checando se o ar comprimido está sendo suficiente para aciona-los.

Compressor de ar: semanalmente abrir e esgotar a agua que se acumula internamente.

Parafusos e porcas: reaperto em toda a estrutura semestralmente.

Válvula da balança de cimento: limpeza de mensalmente, pois devido à umidade existente no local pode ocorrer a formação de uma crosta dura de cimento. Essa ocorrência dificulta o acionamento da válvula, ou seja, o processo de abrir e fechar.