Construção civil brasileira aposta em energia renovável

Diminuir a demanda de energia e ampliar investimentos em renováveis fazem parte das estratégias que integram a agenda do setor em 2016

Uma das ações previstas na agenda estratégica da construção civil para este ano é a aposta na infraestrutura verde. A questão foi discutida durante a Conferência do Clima de Paris (COP-21), realizada em dezembro, e resultou na formação da Aliança Global para Edifícios e Construção, da qual o Brasil faz parte ao lado de mais 19 países.

Entre as principais medidas a serem tomadas para alcançar as metas propostas na conferência, destacam-se a diminuição da demanda de energia no setor e ampliação dos investimentos em energias renováveis. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o Brasil tem potencial e condições naturais privilegiadas – de sol e vento – para isso. A entidade ressaltou que o programa habitacional Minha Casa Minha Vida, por exemplo, representa 19% do mercado de aquecimento solar em edificações, o que comprova o potencial de alavancagem do sistema.

De acordo com dados da consulta pública realizada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) em 2014, o Brasil alcançará 7.000 MW de geração de energia elétrica fotovoltaica até 2024. Para a próxima década, o potencial de eletricidade instalada a partir do sol representará quase 4% da potência total brasileira, sendo que hoje a energia solar é responsável por apenas 0,02% da potência elétrica do país.

Para ampliar as ações de estímulo à geração de energia pelos próprios consumidores, o MME lançou no final do ano passado o Programa de Desenvolvimento da Geração Distribuída de Energia Elétrica (ProGD), que deve movimentar mais de R$ 100 bilhões em investimentos até 2030. Até essa data, a previsão é de que cerca de 2,7 milhões de unidades consumidoras poderão ter energia gerada por elas mesmas, entre residência, comércios, indústrias e no setor agrícola. Segundo o Ministério, a ação pode resultar na geração de 23,5 MW de energia limpa renovável e evitar que sejam emitidos 29 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera.

Fonte: InfraROI

Blocos de concreto conquistam mercado construtor brasileiro

Nem a recente desaceleração da construção civil brasileira para o segmento de blocos de concreto. Para a Associação Brasileira da Indústria de Blocos de Concreto (BlocoBrasil), entidade que reúne os players do setor, o produto tem muito espaço de crescimento nos próximos anos. A opinião é Carlos Alberto Tauil, consultor técnico da entidade. Entre os principais fatores que devem impulsionar o incremento do setor estão os avanços tecnológicos e as atualizações das normas da ABNT. Confira, nessa entrevista, essas e outras informações do segmento que faz parte da cadeia do concreto no país. 

- Qual é o tamanho do mercado atual de blocos de concreto no Brasil?

O segmento, incluídos os blocos para pavimentação (pisos), vinha numa curva crescente de produção até 2013. De 2014 para cá, a tendência tem sido de diminuição da capacidade produtiva, acompanhando a crise econômica do país e da construção civil em especial. Os dados disponíveis sobre a capacidade produtiva são de 2010 e relativos somente aos blocos de concreto, ano em que os principais fabricantes de blocos brasileiros produziam cerca de 80 milhões de blocos de concreto de alvenaria por mês. Esse volume é suficiente para a construção mensal de cerca de 56 mil casas populares do programa Minha Casa, Minha Vida.

- Existem novidades em termos de adoção dos blocos de concreto na construção?

Há uma tendência de aumentar, relativamente, o emprego de blocos de alvenaria, tanto estrutural quanto de vedação, em todo o paí. As razões envolvem a evolução tecnológica, a amplitude e a atualização das normas da ABNT que regulam a fabricação, ensaios e métodos de execução de edificações com blocos de concreto. A alvenaria estrutural vem gradativamente sendo mais utilizada em regiões que não tinham tradição de adotar esse sistema construtivo. É o caso do Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Um entrave ao aumento da utilização de blocos de concreto, tanto estruturais quanto de vedação, é a existência de poucos fabricantes que ofereçam produtos de qualidade, principalmente nas regiões citadas acima.

- Qual a importância dos equipamentos de fabricação de concreto para o setor de blocos?

Os equipamentos de fabricação de concreto, especialmente aqueles voltados para a indústria de blocos, tais como centrais dosadoras, silos de armazenagem, entre outros, são fundamentais para o desenvolvimento tecnológico e o aumento da produtividade – portanto, da competitividade – do setor. Além disso, eles somam no desempenho o setor a qualidade final do concreto usado para a fabricação de blocos pré-moldados.

- Destacaria alguma evolução tecnológica nos equipamentos de concreto?

Tem havido um grande avanço na automação dos equipamentos, visando à redução de mão de obra no chão de fábrica.

- Em poucas palavras, como definiria a BlocoBrasil? 

A BlocoBrasil é a entidade que representa os principais fabricantes brasileiros de blocos e pisos de concreto. Ao todo, a associação é formada por cerca de 90 fabricantes de blocos e pisos de concreto dos principais estados brasileiros, sendo que todos os fabricantes precisam ter o Selo de Qualidade da ABCP.

Os principais objetivos da Associação são o de desenvolver a qualidade e a tecnologia setorial, participar e incentivar a criação de novas normas e a atualização das normas da ABNT relativas aos produtos do setor, desenvolver o mercado de blocos e pisos de concreto, em todas as suas áreas, divulgando as vantagens dos produtos em feiras, congressos e por meio de publicações voltadas para os profissionais da construção, autoridades públicas e órgãos governamentais.

- Quais são os principais projetos desenvolvidos atualmente?

A BlocoBrasil desenvolveu, por intermédio do CBCS-Conselho Brasileiro da Construção Sustentável e em parceria com a ABCP, o projeto Avaliação de Ciclo de Vida Modular (ACVm), que avaliou, de forma pioneira no Brasil, o índice de sustentabilidade de 33 fabricantes de blocos e pisos intertravados de concreto. Esse projeto, cuja primeira fase foi concluída em 2014, terá continuidade futuramente, com novas avaliações do índice de sustentabilidade dos fabricantes associados à entidade.

A BlocoBrasil também vem desenvolvendo um programa de realização de ensaios no IPT para verificar o atendimento de paredes com blocos de concreto às exigências da Norma de Desempenho (NBR 15.575/2013). Outra informação é que a Associação desenvolverá um programa de palestras nas principais capitais e cidades brasileiras, em parceria com entidades da construção civil locais em 2016. A ideia é apresentar as vantagens do pavimento permeável, com peças de concreto drenante, e divulgar a edição da norma que regulamenta a fabricação e a execução desse tipo de pavimento com piso pré-fabricado de concreto.

Como associados temos, além dos principais fabricantes, de grande e médio porte, de blocos e pisos de concreto do Brasil, os fornecedores de máquinas, equipamentos e insumos para a indústria de blocos de concreto brasileira.

Canalização de concreto será usada para redes de fibra óptica

O concreto acaba de ganhar mais um potencial mercado, o de instalação de redes de fibra óptica e de outros tipos de fiação adotadas em telecomunicações. Trata-se de um projeto de canalização aplicada no meio-fio de calçadas, formado por blocos de concreto que vão sendo encaixados um no outro. Com a solução, as operadoras de telecomunicações evitam sobrecarregar os postes – a chamada rede área – e ainda “civilizam” a ocupação do solo para ativar as malhas subterrâneas.

O produto foi desenvolvido pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), instituição ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que já tem um parceiro para lançar comercialmente a solução e, inclusive, solicitou a patente da solução no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). De acordo com Eduardo Grizendi, diretor de Engenharia e Operações da RNP, o produto contribui com a demanda de construção de redes canalizadas/subterrâneas, atende as exigências das prefeituras municipais ainda estimula a criação de outros recursos inovadores.

O nome técnico do projeto da RNP é “Disposição construtiva introduzida em guia de meio-fio modular”. Complicado no título, o recurso é simples de ser instalado na rua: uma vez aplicados no meio fio, a estrutura viabiliza a passagem de dutos e conduítes por dentro dos blocos, criando a canalização para introdução dos cabos de fibra óptica ou de metálicos.

PCA, associação americana de cimento portland faz 100 anos

A indústria de cimento comemora esse ano uma data importante. Trata-se do centenário da Portland Cement Association (PCA), a entidade que reúne a indústria do setor nos Estados Unidos. A iniciativa está altamente ligada ao nome de Ben Affleck – quase homônimo do ator famoso – que na época era o chairman da Atlas Universal Cement, uma empresa do setor. O executivo presidiu a PCA de 1916 a 1920, levando a entidade a atingir a meta de “elevar o padrão da construção de concreto, melhorar a qualidade do trabalho e aumentar o uso do cimento em áreas já estabelecidas e em novos campos de aplicação”.

A associação atualmente funciona como uma fonte para quem quer entender as tendências tecnológicas do setor e o mercado de cimento nos Estados Unidos. Com ela, o produto ganhou uma história oficial e renovada. Os romanos, por exemplo, já utilizam amplamente o concreto, mas a evolução técnica ganhou fôlego nos últimos 100 anos. Já o precursor do moderno cimento portland foi o construtor inglês Joseph Aspdin em 1820. Como ele usava um calcário da Ilha de Portland na fabricação do material, o novo produto ganhou essa denominação.

Voltando à PCA é interessante notar que a entidade começou a partir de um escritório em Chicago, reunindo 53 fabricantes e cerca de 120 funcionários. As prioridades da entidade há 100 anos incluíam a promoção do produto e o relacionamento com o governo. O foco não estava incorreto, visto que em 1916 o congresso americano protocolou uma moção pela construção de uma rede nacional de rodovias. Para provar o custo benefício dos pavimentos rígidos – feitos de concreto – em contraponto ao asfalto flexível – a PCA liderou uma campanha maciça de anúncios com o slogan Concrete for Permanence, mote que permaneceu durante toda a década de 1950.

Para conhecer mais sobre a PCA e as mais novas tendências de mercado, entre no site da entidade: www.cement.org.

Concretto Engenharia opera central com capacidade máxima

Instalada há pouco mais de um ano, a CDR-40, fabricada pela RCO, faz parte dos investimentos de expansão da empresa mato-grossense e deve ser empregada na diversificação de produtos da concreteira

Recém-criada, a Concretto Engenharia, empresa especializada na produção de concreto usinado, tem como foco clientes no entorno de Pontes e Lacerda, cidade mato-grossense onde está sua sede. Esse universo inclui empresas do comércio local e do segmento agropecuário e, principalmente, construtoras da região do Vale do Guaporé. Como se trata de um local onde a demanda por concreto usinado é crescente, a expansão dos negócios é um processo natural para a concreteira, que opera a central dosadora CDR-40, da RCO, a plena carga. A máquina faz parte do pacote de investimentos recentes da Concretto, o qual inclui ainda caminhões betoneiras, carretas silo e basculante e caminhão munck.

A aquisição da central foi feita pouco tempo depois da criação da empresa no segundo semestre de 2014. Apesar de operar com capacidade máxima há cerca de um ano e meio, a CDR-40 nunca precisou passar por reparos. “Não tivemos nenhum problema com o equipamento até hoje. A central é robusta e apresenta grande qualidade”, diz Irineu Carlos Turazzi, diretor e presidente da Concretto Engenharia. Ele explica que adquiriu o equipamento por indicação de funcionários da empresa e que o processo de escolha envolveu a visita à RCO e a outros dois concorrentes. “Escolhemos, na época, pelo preço e excelente atendimento. Hoje, recomendo o equipamento também pela qualidade comprovada em campo”.

Atualmente a central dosadora, equipada com um silo e com uma balança de cimento, é utilizada somente para a produção de concreto usinado, realidade que tende a mudar. Segundo Turazzi, existem planos de levar o equipamento para projetos maiores com o objetivo de reduzir custos. “Vamos montar uma indústria de pavers e blocos de concreto. Nossa intenção é utilizar a CDR-40 para fazer o processo de mistura juntamente com as betoneiras, diminuindo o custo na compra de silos”, afirma.

Mantendo o ritmo de crescimento, a Concretto Engenharia está de olho em projetos maiores e mais longes de sua base – mais de 150 km da planta. Novamente, os equipamentos da RCO podem fazer parte da expansão da empresa. “Nossa intenção é adotar centrais móveis para projetos distantes. Os equipamentos da RCO são seguros e eficazes, com um sistema de pós-venda e assistência técnica excelentes”, finaliza Turazzi.

O sucesso da parceria entre as duas empresas, segundo Natã Sachetto, Consultor Técnico de Vendas da RCO, está diretamente ligado ao relacionamento criado durante a venda do equipamento. “O atendimento diferenciado, o domínio técnico e a clareza nas informações na negociação foram fundamentais para a venda”, diz. “Reforçamos ainda mais nossa credibilidade com o cliente quando ele visitou nossa estrutura”, completa.

Sachetto destaca ainda que a CDR-40 tem baixíssimo custo de manutenção devido à qualidade dos componentes e materiais utilizados na fabricação do equipamento. No caso da Concretto Engenharia, a Central Dosadora ganhou um dispositivo adicional: um software de automação. “Com o sistema instalado, o processo de fabricação do concreto acontece de maneira mais ágil e eficiente, minimizando a possibilidade de erros na fabricação”, explica. O controle e rastreamento dos processos de fabricação do concreto também são amplificados com a automatização, uma vez que a CDR-40 passa a emitir relatórios de desempenho.