Projeto do SindusCon-DF qualifica concreto na obra

Criado há seis anos, o projeto Indicadores do Concreto tem ajudado a melhorar a qualidade das obras em Brasília e nas cidades-satélites. A parceria entre SindusCon-DF e IEL-DF (Instituto Euvaldo Lodi) realiza o mapeamento dos processos de concretagem no Distrito Federal, no que se refere à logística e à qualidade. Todos os dados tornam-se públicos, o que ajuda a disseminar a cultura do uso do indicador como ferramenta de gestão na obra. Também propicia uma cultura de troca de experiências entre os canteiros de obras e, o mais importante, dificulta a ação de concreteiras piratas ou informais na região coberta pelo SindusCon-DF.

Segundo a engenheira civil Gezeli Farina de Roure Bandeira de Mello, que está no projeto desde o início, a disseminação de boas práticas é a principal virtude do Indicadores do Concreto. “Continuamente, ele fomenta a otimização de processos e de produtos. Tudo com respeito à legalidade às normas vigentes”, afirma. A gestora completa que, embora o projeto não tenha como conceito principal a gestão da obra, ele acaba influenciando positivamente para que isso ocorra. “Ao longo desses seis anos, foram poucos os engenheiros de obra que não participaram do programa, assim como as empresas. Hoje, eles são parceiros que ajudam a levar o que aprenderam para a gestão de suas obras”, diz Gezeli.

Existe uma exigência para que se participe do projeto Indicadores do Concreto: a obra precisa utilizar concreto dosado em central produzido fora do canteiro. Outra obrigação de quem aceita fazer parte é concordar que todos os dados coletados sejam disponibilizados no site do projeto. “O Indicadores do Concreto disponibiliza todas as suas ações para consulta pública e gratuita. Lá estão o histórico, as empresas participantes, relatórios numéricos, gráficos das séries temporais dos indicadores, as pesquisas de opinião, os informativos quinzenais e o link para o blog do projeto. Além disso, divulgamos o projeto em todas as mais importantes redes sociais”, revela a engenheira.

Projeto não fiscaliza obra

O projeto Indicadores do Concreto é uma iniciativa da Diretoria de Materiais e Tecnologia do Sindicado da Construção Civil do Distrito Federal (DIMAT/SindusCon-DF). Para que um canteiro de obras seja cadastrado, ele precisa seguir um protocolo que consiste em visita à obra, apresentação do projeto ao engenheiro responsável e verificação da real disposição do canteiro em colaborar. Somente após esta confirmação o empreendimento é cadastrado. A participação do canteiro de obras é voluntária, não implica em custo e cada empresa pode inscrever quantas obras quiser. Trimestralmente, um comparativo entre os canteiros cadastrados mede os desempenhos específicos e faz a média de todos os participantes. O projeto não fiscaliza obra.

Além do SindusCon-DF e do IEL-DF, a Federação das Indústrias de Brasília (FIBRA) e o Instituto Senai de Tecnologia (IST-DF) também apoiam o Indicadores do Concreto. A equipe que coordena o projeto conta com um gerente, um estagiário estatístico, dois estagiários de engenharia e consultoria na área de informática.

Fonte: Altair Santos, Massa Cinzenta. 

Especialista da ABCP pontua cinco vantagens do pré-fabricado de concreto

Foto ABCP

O pré-fabricado de concreto é uma das alternativas mais rápidas para execução de uma edificação. Nesse sistema construtivo é possível industrializar vigas, lajes, painéis de fechamento, contando inclusive com acabamentos arquitetônicos que atendem perfeitamente à criatividade do arquiteto e o desempenho especificado pelo projetista. Acompanhe essa entrevista do gerente de inovação e sustentabilidade da ABCP, Cláudio Oliveira Silva sobre a tecnologia.

Quais as principais vantagens do pré-fabricado de concreto para a relação custo-benefício das obras?
Cláudio Oliveira Silva - O pré-fabricado tem como característica proporcionar ao cliente a certeza de um empreendimento seguro, com investimento calculado, ou seja, o investidor sabe quanto irá desembolsar para concluir a obra; os pré-fabricados representam retorno de investimento mais rápido, pois a obra é concluída num prazo menor e a empresa pode começar suas atividades no prazo previsto (shoppings, supermercados, centros de distribuição etc.).

Os planos de seguros apresentam menores taxas quando a obra é em pré-fabricados de concreto, pois possuem maior resistência ao fogo – comprovado através de ensaios reais e de acordo com as normas técnicas, tanto nacionais quanto internacionais. Este sistema também proporciona ao cliente a certeza de que sua obra será 100% fiel em relação ao que foi projetado, pois não existem adaptações durante a construção, tudo é planejado.

O canteiro de obras é limpo e seguro, e apresenta um número reduzido de funcionários durante a construção; os pré-fabricadores estão equipados com laboratórios e realizam testes a fim de garantir a qualidade e melhorar sua produtividade; os funcionários de empresas do setor são registrados e trabalham devidamente equipados com EPIS (Equipamentos de Proteção Individual e Segurança).

O sistema pré-fabricado de concreto apresenta flexibilidade e atende às maiores exigências dos projetistas e arquitetos. O custo de manutenção, em relação aos outros sistemas, apresenta vantagens, pois é mais baixo; os sistemas pré-fabricados admitem a incorporação de outros componentes em suas peças, como: contra-marcos, caixilhos, revestimentos cerâmicos e outras opções de acabamento; e ainda se integram aos outros sistemas construtivos, ou seja, moldando-se à necessidade de cada projeto.

Os pré-fabricadores (principalmente os associados ABCIC – Associação Brasileira da Construção Industrializada em Concreto e os detentores do Sele Excelência ABCIC) garantem contratualmente seus serviços executados e disponibilizam seu corpo técnico para conceber ou desenvolver soluções diferenciadas.

Além disto, o pré-fabricado de concreto tem total respeito ao meio ambiente, pois, como é produzido de acordo com cada projeto, as peças minimizam desperdícios, a geração de resíduos e entulho, resultando em obras rápidas e limpas.

A utilização do pré-fabricado reduz custo e mão de obra?
Cláudio Oliveira Silva - 
O uso do sistema pré-fabricado elimina várias etapas construtivas na obra, uma vez que a produção das estruturas é feita na fábrica, ficando a obra apenas com a etapa de montagem e acabamento. Com isto, se reduz bastante a mão de obra no canteiro.

Qual a porcentagem dessa redução em comparação ao método construtivo tradicional?
Cláudio Oliveira Silva - Para avaliar o custo real de uma edificação não podemos comparar simplesmente o preço médio do metro quadrado de cada sistema construtivo. Esta avaliação é mais complexa que isto, pois é necessário considerar custos marginais ligados ao projeto, transporte, aquisição de componentes, existência de fornecedores qualificados, mão de obra qualificada, finalidade da obra (comercial, residencial, institucional etc.), fonte de financiamento, custo de seguro e prazo de entrega. Por conta destes inúmeros fatores, em cada caso, os diferentes sistemas construtivos terão uma competitividade própria.

Como o uso de pré-fabricado pode minimizar a escassez de mão de obra?
Cláudio Oliveira Silva - A escassez de mão de obra qualificada não atinge apenas a construção civil e muito menos um setor especifico deste segmento. A industrialização dos canteiros, principalmente utilizando-se o pré-fabricado, ajuda a transformar as atividades da obra, na maioria dos casos, com alto grau de complexidade e imprevisibilidade de resultados e prazos em ações previamente planejadas, deixando o ato de construir mais próximo ao de uma linha de produção, evitando-se ao máximo a ocorrência de improvisações por parte dos operários no momento da execução da obra.

Portanto, a industrialização reduz a necessidade de mão de obra intensiva, principalmente quando se deseja acelerar os prazos de execução, sobretudo na etapa de produção da estrutura, transferindo-a para a indústria de pré-fabricados.

Qual a categoria de profissional mais atingida?
Cláudio Oliveira Silva - A industrialização valoriza a especialização dos profissionais, pois diminui o trabalho braçal e prioriza o planejamento e a precisão dos componentes, dos elementos estruturais e das instalações. Parte deste trabalho, antes braçal, passa a ser realizada na indústria com maior grau de mecanização e padronização. Assim, perdem espaço no canteiro de obras profissionais ligados à preparação da estrutura, como carpinteiros, armadores, pedreiros e ajudantes. Estes profissionais são substituídos por um número menor de profissionais ligados às atividades de montagens dos elementos pré-fabricados, como: montadores, soldadores, operadores de guindastes etc.

Fonte: InfraROI