Hidrelétrica de Jirau: novo recorde para a engenharia brasileira

Canteiro de obras em Jirau, no Rio Madeira. Nota-se no lado direito inferior os silos RCO, aparafusados e de alta capacidade, ainda em processo de montagem. Atualmente a obra encontra-se em estágio mais avançado ao exibido na imagem. A foto mosta uma pequena parte da obra, onde a mesma se extende por uma área imensa.

A construção da hidrelétrica de Jirau é considerada atualmente a maior obra de engenharia em andamento no Brasil. A RCO orgulhamente participa desse feito com o fornecimento de silos de cimento de alta capacidade e demais serviços de montagem de equipamentos em campo. Veja abaixo reportagem da revista M&T mostrando os números dessa grande obra que contribuirá significadamente para o incremento de fornecimento de energia elétrica ao país.

O  relógio aponta 2h00 da madrugada e o ronco dos motores dos equipamentos pesados interrompe o silêncio da floresta Amazônica no entorno da obra. Para implantar a maior usina hidrelétrica em execução no Brasil desde a construção de Tucuruí – e 14ª maior do mundo – a construtora Camargo Corrêa mobiliza uma frota de cerca de 2.000 equipamentos de grande porte, entre escavadeiras hidráulicas, tratores, caminhões, guindastes, carretas de perfuração e outros, que operam ininterruptamente durante 22 horas por dia, em dois turnos de trabalho.

Até concluir a construção da usina hidrelétrica de Jirau, a construtora deverá acrescentar alguns recordes a sua extensa lista de projetos desse tipo. Um deles certamente será o prazo de execução. Entre a data da licença de instalação (LI) da obra, obtida em junho de 2009, e o início da operação das primeiras unidades geradoras, previsto para março de 2012, terá transcorrido pouco mais de dois anos e meio. Sem dúvida, trata-se de um feito inédito para uma usina do porte de Jirau, que terá 3.450 MW de potência instalada e vai gerar uma energia assegurada de 2.000 MW médios.

A redução no prazo de execução da obra deve ser atribuída ao projeto inovador apresentado pela empresa Energia Sustentável do Brasil, que venceu a licitação para implantação e operação de Jirau. Com pequenas mudanças no projeto, que incluíram o deslocamento da usina de sua localização original, ela reduziu o volume de obras civis previsto inicialmente. Como resultado, além do custo da hidrelétrica ter diminuído, ela resultará em menor impacto ambiental e ainda permitirá a navegabilidade do rio Madeira, onde fica localizada.

Duas obras em uma

Juntamente com a hidrelétrica de Santo Antônio, Jirau faz parte do aproveitamento energético do rio Madeira, em Rondônia, cuja construção figura como um dos principais projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O empreendimento pertence à empresa Energia Sustentável do Brasil, controlada pela Suez Energy (50,1%), Eletrosul (20%), Companhia Hidroelétrica do São Francisco – Chesf (20%) e grupo Camargo Corrêa (9,9%), que deverá investir R$ 11 bilhões na sua construção.

Execução antecipada

Devido a essa estratégia, o canteiro conta atualmente com duas centrais de britagem – uma com capacidade para 400 t/h, na margem direita, e outra dimensionada para produzir 160 t/h, na margem esquerda – e cinco usinas de concreto, também distribuídas entre os dois lados do rio. As instalações operam de forma autônoma, de acordo com as necessidades de produção em suas respectivas áreas de abrangência.

“Além disso, locamos duas centrais da concreteira Wanmix, para atender à grande demanda de produção de concreto na margem direita do rio”, diz João Lázaro Maldi Junior, superintendente de equipamentos da Camargo Corrêa. Essa quantidade de instalações se justifica pelo planejamento da obra. Apesar dos serviços transcorreram simultaneamente nas duas margens do rio Madeira, as estruturas do lado direito terão sua conclusão antecipada, para que as turbinas da primeira casa de força entrem em operação em março de 2012.

A antecipação no cronograma das obras da margem direita também se deve à localização do vertedouro, que será usado para desvio do rio. Somente após a construção dessa estrutura e o desvio do rio, em 31 de julho de 2011, a construtora poderá avançar na execução da barragem de enrocamento, que terá altura mínima de 23 m e máxima de 56 m. “As alterações no projeto e a redução no prazo de execução da obra implicaram mudanças no planejamento de execução da obra”, justifica Hidário Martins.

Segundo ele, a construção da usina está com cerca de 40% de avanço físico. “Temos que concentrar a maior parte dos trabalhos nessa época do ano, pois a região Amazônica se caracteriza por intensas chuvas entre os meses de novembro e abril, que inviabilizam as escavações e lançamentos de grandes volumes de concreto.” Para atender ao planejamento de produção, as escavações de solo e rocha mobilizam escavadeiras hidráulicas de maior porte, de 50 t e 60 t de peso operacional. Elas também atuam no carregamento de caminhões 8×4, que realizam o transporte dos materiais para bota-foras, para a produção de brita ou áreas de estoque, de onde serão retirados para futuro aproveitamento na obra.

Pessoal mobilizado

Hidário Martins explica que a construção da hidrelétrica ainda não atingiu o pico das atividades, quando mobilizará cerca de 19 mil funcionários, entre profissionais da própria Camargo Corrêa e das empresas subcontratadas para serviços especiais de engenharia. Nessa etapa, prevista para meados do próximo ano, a obra deverá gerar cerca de 40 mil empregos, incluindo as empresas instaladas em Porto Velho, capital de Rondônia, ou no próprio canteiro de obras, para o fornecimento de insumos, peças e o suporte às máquinas utilizadas nos serviços de terraplenagem, concretagem e montagem eletromecânica.

Do total de trabalhadores mobilizados no empreendimento, cerca de 2.000 estão atuando na operação de equipamentos, entre profissionais da própria construtora e das empresas subcontratadas. “Temos um projeto, em parceria com o Senai, que forma cerca de 200 pessoas por mês e já capacitou 5.000 profissionais, entre pedreiros, serralheiros, operadores de máquinas e outras atividades”, afirma Martins. Mesmo assim, ele ressalta as dificuldades na contratação de profissionais especializados, principalmente num projeto que tem o compromisso de empregar 80% de mão de obra local.

Grandes concretagens

Assim como na terraplenagem, a construção das estruturas de concreto foi planejada com foco na máxima produtividade. “Nos blocos menores, como os pilares dos vertedouros, lançamos os concreto por bombeamento”, diz Hidário Martins. Com isso, a construtora registra um avanço médio de 20 a 25 m/h na execução das estruturas, que é a velocidade de deslocamento das formas deslizantes. “Em compensação, nos blocos maiores, que consomem grande volume de concreto e não apresentam restrições à velocidade de lançamento, utilizamos caminhões equipados com esteira telescópica”, ele completa.

Início das montagens

Hidário Martins explica que as estruturas da usina estão sendo construídas com um traço de concreto usual em obras de hidrelétricas, a uma taxa de armação de 62 kg/m3, nas casas de força, e de 48 kg/m3, no vertedouro. “Nessa área, o destaque fica para os sete guindastes de torre montados sobre trilhos, que são usados para a instalação das formas e armações nos locais de concretagem”, ressalta João Lázaro. O maior deles, usado para a instalação de formas, tem uma capacidade de carga de 120 tm (toneladas x metro).

Atualmente, as obras da hidrelétrica se encontram em estágio adiantado na concretagem das estruturas do vertedouro e da casa de força da margem direita. No final de julho, o empreendimento registrou o início da montagem das primeiras turbinas, com a instalação das virolas – estruturas de aço com cerca de 14 t, que servem para blindar a área de escape da turbina de forma a não comprometer a geração de energia.

* Texto composto por trechos da reportagem da revista M&T – Manutenção e Tecnologia – Edição 137 – 30 de Agosto de 2010.