Uso do concreto aumenta 180% em 7 anos

Foto: Luiz Setti

Os dados foram apresentados ontem em pesquisa da Associação Brasileira de Cimento Portland

O concreto, produto encontrado em praticamente todas as construções, registrou um aumento de 180% no mercado de construção civil brasileiro, entre 2005 e 2012, de acordo com uma pesquisa inédita produzida pela empresa e8 Inteligência, em parceria com a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). Esse percentual reflete o processo de crescimento que o setor de construção civil como um todo vem passando no Brasil, impulsionado pelos fatores macroeconômicos e incentivos governamentais, como a criação dos programas federais Minha Casa, Minha Vida e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os dados foram apresentados durante a 7ª edição do Concrete Show South America, feira que acontece até hoje no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo, reunindo 580 expositores nacionais e internacionais do mercado de concretagem da cidade.

De acordo com a pesquisa, no segmento de edificações, a utilização do sistema construtivo de paredes de concreto aumentou significativamente a participação de mercado das concreteiras, enquanto que o PAC impulsionou o mercado nas obras de infraestrutura. “Uma das justificativas para esse crescimento expressivo é o aumento da utilização dos sistemas construtivos à base de cimento, que vêm ganhando a preferência das construtoras. Outras explicações para esse cenário envolvem a necessidade de apresentar inovações produtivas, adequação às restrições ambientais e logísticas e adoção do padrão de especificação do concreto”, revela Eliana Taniguti, diretora geral da e8 Inteligência.

Tudo isso fez com que a demanda por concreto via concreteiras crescesse 136% entre 2006 e 2011. Para os próximos cinco anos, Eliana prevê que o setor registrará um crescimento de 5% ao ano, já que a demanda por esse tipo de produto não para de crescer no País. A estimativa é de que o setor de concreto atinja 72,3 milhões de metros cúbicos em 2017, crescimento de 41,2% no período de cinco anos. “O nicho da autoconstrução, principalmente nos grandes centros urbanos, está passando a utilizar concreto dosado em central. Existem concreteiras que possuem canal específico para atender este segmento. É um mercado que possui possibilidade de expansão”, explica a diretora geral da e8 Inteligência.

O diretor de mercado da ABCP, Valter Frigieri, considera que a mudança da cultura dos construtores também é um fator que colabora com esse cenário. Ele cita as compras de concreto diretamente nas centrais, ou seja, com as produtoras, em maior número nos últimos anos do que os casos em que o concreto é preparado no próprio canteiro de obras. “O concreto preparado em centrais cresce a uma taxa superior ao crescimento da construção civil porque seus sistemas construtivos têm ganhado a preferência dos construtores e porque tem caído o número de obras que rodam concreto sem o uso do serviço das concreteiras”, considera. Frigieri destaca que há 92 mil construtoras no Brasil que utilizam o concreto, por isso, afirma que as previsões do mercado são bastante positivas.

A pesquisa contemplou mais de 300 entrevistas com profissionais de todos os elos da cadeia de concreto, que são os fornecedores, os produtores e os sistemas construtivos, para analisar as características do uso do concreto, as principais mudanças ocorridas nos últimos cinco anos e as tendências para os próximos cinco anos. Entre as novidades que deverão ser relatadas até 2017, a pesquisa cita o aumento da resistência à compressão do concreto, a evolução nos concretos fluidos, a otimização do concreto com evolução das receitas dos agregados e as novas funções do produto, que incluem a autolimpeza, a autorrecuperação e a alta capacidade térmica.

 

Concrete Show

 

A 7ª edição do Concrete Show, que termina hoje em São Paulo, trouxe as principais inovações tecnológicas do setor de concreto, em um espaço de mais de 62,5 mil metros quadrados de exposições de produtores nacionais e internacionais. O evento reuniu mais de 30 mil profissionais do setor, que puderam fazer um networking e apresentar os maquinários, sistemas construtivos à base de cimento, serviços e produtos de destaque.

“O mercado da construção civil está em um momento muito importante de mudanças e o uso da tecnologia é um dos pontos fortes desse processo. Trabalhamos com nossos parceiros para fazer a feira refletir o contexto e mostrar as infinitas possibilidades que o setor está vivendo”, relata Cláudia Godoy, diretora geral da Concrete Show.

Entre os expositores da feita estava o Grupo Votorantim, que possui unidades na região. O estande da empresa simulou um canteiro de obras e um viaduto que recebeu a aplicação de galvanização em seus vergalhões. O espaço, de 300 metros quadrados, demonstrou as aplicações de produtos da Votorantim Cimentos, Votorantim Siderurgia e Votorantim Metais para a construção civil. O estande apresentou a Decoratta Itaú, um novo produto para acabamento final, desenvolvido pela área de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa, que possui vantagens em tempo e custo para obra.

O sistema que produz a parede inteiramente de concreto também foi bastante difundido na Concrete Show, justamente por conta de uma nova norma, publicada em abril pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que aborda requisitos gerais para a qualidade da parede, critérios de projeto, materiais, análise estrutural, dimensionamento e procedimentos para a fabricação da parede, entre outros aspectos. Algumas produtoras de concreto exibiram moldes dessa parede na feira.

Fonte: Cruzeirodosul