Bloco de concreto família 11,5 faz mais com menos

A ABCP Sul (Associação Brasileira de Cimento Portland da região Sul) tem acompanhado obras com o emprego do bloco de concreto família 11,5. Entre os empreendimentos, estão casas com 50 m2, que tiveram a estrutura e a alvenaria concluídas em dois dias. O canteiro envolve poucos profissionais, além de ressaltar a fácil modulação, a praticidade e a produtividade, explica o engenheiro civil Alex Maschio, gerente regional Sul da ABCP. Na entrevista a seguir, ele explica como o uso de blocos de concreto ajuda a fazer mais com menos, sem abdicar da qualidade. Confira:

O senhor poderia explanar como se deu a construção de casas de 50 m², cuja alvenaria de cada unidade ficou pronta em dois dias usando blocos de concreto 11,5?
Isso foi possível devido à alta produtividade obtida quando utilizados blocos de concreto. Pela simplicidade do processo construtivo, e a facilidade de modulação dessa família de blocos, um profissional com pouca experiência consegue produzir até quatro vezes mais que no sistema convencional, com tijolos de barro. Trata-se de um salto de 7 m²/homem/dia, no convencional, para mais de 30 m²/homem/dia. É importante deixar claro que em dois dias ficou pronta a alvenaria e a estrutura de cada edificação, e não a residência como um todo. Para atingir essa produtividade, é fundamental também optar por argamassa industrializada (ensacada ou estabilizada), evitando assim desperdícios e perda de tempo em obra.

O bloco de concreto 11,5 é o ideal para projetos que envolvem alvenaria estrutural?
A palavra ideal limita muito. Cada obra é uma obra, e essa família de blocos certamente é uma opção muito interessante para uma boa gama de situações. Mas há outras situações em que outras famílias de blocos de concreto podem ser mais adequadas. A ABNT NBR 6136:2004 (Blocos vazados de concreto simples para alvenaria – Requisitos) especifica nove famílias de blocos, entre as quais a 12,5 x 25 (utilizada na obra em questão e conhecida como família 11,5). Neste caso, os blocos têm 11,5 cm de largura x 24 cm de comprimento e 19 cm de altura, mas considerando a argamassa de assentamento e acabamento, considera-se 12,5 x 25 x 20 cm de altura. Cada tipo de bloco tem suas características específicas e adapta-se melhor a determinados tipos de obra. Em obras verticais de maior porte, por exemplo, são utilizadas famílias com blocos maiores e com paredes mais espessas na busca por uma maior produtividade e maior resistência das peças. Outro aspecto importante é pensar nos desempenhos térmico, acústico e de durabilidade, que também irão impactar no tipo de bloco a ser utilizado. Enfim, a família 12,5 x 25 (com blocos de 11,5 centímetros) certamente é uma excelente opção para obras de alvenaria estrutural, principalmente térreas, mas não podemos dizer ideal para todas as situações.

A principal vantagem do bloco de concreto 11,5 é que ele permite fazer mais com menos?
Não só o bloco 11,5 cm, mas todos os blocos de concreto. A solução de alvenaria estrutural racionaliza o processo construtivo, elimina desperdícios e aumenta a produtividade, proporcionando uma economia de até 30% no custo total da obra (em relação apenas aos blocos, podemos dizer que 1,0 m² de alvenaria com bloco 11,5 custa, em termos gerais, 25% menos que os blocos convencionais de 14 cm). O bloco 11,5 cm, em obras baixas, possibilita acentuar esse ganho, pois a fácil modulação e baixo peso das peças aceleram ainda mais o processo construtivo. Vale frisar que os blocos 11,5 são também uma excelente solução para alvenaria de vedação/fechamento em obras com estrutura de concreto armado convencional. Eles aceleram a execução, eliminam desperdícios e simplificam a passagem de tubulações. Em resumo, as vantagens são:
– Fácil e precisa quantificação, em virtude de sua modulação simplificada (um dois e três “furos” apenas)
– Limpeza da obra (pequena ou nenhuma geração de resíduos)
– Ganho de produtividade
– Redução no consumo de argamassa de assentamento
– Regularidade e redução nos revestimentos
– Execução simplificada
– Excelente desempenho térmico e acústico
– Menor custo da alvenaria

Esse tipo de obra seria uma solução para habitações de interesse social?
Certamente é, e não só para habitações de baixa renda, mas para qualquer tipo de edificação a ser construída. Como mencionei anteriormente, a utilização de blocos de concreto possui uma série de vantagens que permitem fazer mais com menos. O bloco 11,5 vem para agregar ainda mais, pois traz consigo também a simples modulação.

As casas construídas foram um protótipo ou já têm condições de ser construídas em larga escala?
Trata-se de um projeto da Construtora Joama, sendo a residência parte de um condomínio residencial. Portanto, não é um protótipo. Com certeza, pode ser produzida em larga escala e, inclusive, temos diversos exemplos espalhados no Brasil que já utilizam bloco 11,5. Inclusive, alvenaria estrutural com blocos de concreto é o sistema mais utilizado nas obras do programa Minha Ca Minha Vida. O grande ponto aqui não é o ineditismo, mas sim a versatilidade desse bloco de 11,5cm.

Outra vantagem foi o emprego reduzido de mão de obra, correto?
Sem dúvida, a utilização de blocos de concreto racionaliza o canteiro e, por si só, permite a redução de mão de obra. A produtividade aumenta e a simplicidade executiva permite que uma pequena equipe execute um serviço de alto rendimento, sem que haja perda de qualidade.

Os profissionais têm alguma especialização ou são pedreiros e mestre de obras?
Mão de obra normal, sem especialização. Quanto mais se faz, mais produtivo fica. Obviamente, uma equipe com mais experiência irá produzir com maior velocidade, mas nada impede que qualquer pessoa possa efetuar uma ampliação de sua casa utilizando-se desse sistema.

Qual a praticidade da obra em termos de modulação e produtividade?
A fácil modulação permite utilizar este tipo de bloco em qualquer obra, desde uma pequena ampliação em uma residência até um edifício. Dependendo do tipo de uso se faz necessário um projeto específico e detalhado – no caso de edifícios, por exemplo. Principalmente, se o uso for pelo sistema de alvenaria estrutural.

Qual o custo de uma obra deste tipo?
O custo é um aspecto muito abrangente e dependente de vários fatores, entre eles acabamento e terreno. O que posso salientar é que, com a utilização dos blocos 11,5, a construção pode chegar a uma economia de 30% no custo total, variando de acordo com a especificidade de cada obra.

Para entregar a casa pronta para morar levaria quantos dias mais, já que apenas a alvenaria ficou pronta em dois dias?
Esse é outro aspecto complexo. Quanto maior a repetição, menos dias se leva para edificar uma casa. Isso é racionalização. A ideia é transformar o canteiro de obras em linha de produção. Para exemplificar: se tivermos um condomínio com 180 casas iguais de 50 m² é muito provável que seja possível concluí-las em menos de seis meses, o que daria uma casa por dia. Como é possível, se só a alvenaria leva mais de um? Aí entra a industrialização ou racionalização. No entanto, se formos fazer apenas uma casa de 50 m², é provável que se leve em torno de um mês, ou algo assim, pois cada etapa tem de ser feita respeitando o prazo da anterior. Portanto, é melhor se evitar parâmetros quando se fala em custo e prazo, para não incorrer em erros.

Como está o emprego deste sistema nas construtoras e nas companhias de habitação?
Várias são as empresas que constroem edificações desse tipo e, inclusive, trabalham com companhias de habitação. Da mesma maneira, são vários os fornecedores de blocos de concreto que vendem o material. Porém, são poucos os que fabricam com qualidade, o que vale um parágrafo à parte. Os blocos devem atender as especificações da ABNT NBR 6136 e, para simplificar esse conhecimento, existe a ferramenta do selo de qualidade da ABCP. A ABCP coleta peças nas fábricas e ensaia de acordo com a norma. Caso a empresa atenda integralmente os requisitos, ela obtém essa certificação. Além disso, tem o PSQ (Programa Setorial de Qualidade) do Ministério das Cidades, onde fornecedores são certificados de acordo com a qualidade dos seus insumos para que os mesmos possam ser utilizados em obras do MCMV, por exemplo.

Entrevistado
Engenheiro civil Alex Maschio, especialista em administração com ênfase em planejamento e gestão de negócios. Atua na ABCP há 10 anos e, desde 2010, é gerente regional Sul da ABCP

Fonte: Altair Santos, Massa Cinzenta. 

Especialista da ABCP pontua cinco vantagens do pré-fabricado de concreto

Foto ABCP

O pré-fabricado de concreto é uma das alternativas mais rápidas para execução de uma edificação. Nesse sistema construtivo é possível industrializar vigas, lajes, painéis de fechamento, contando inclusive com acabamentos arquitetônicos que atendem perfeitamente à criatividade do arquiteto e o desempenho especificado pelo projetista. Acompanhe essa entrevista do gerente de inovação e sustentabilidade da ABCP, Cláudio Oliveira Silva sobre a tecnologia.

Quais as principais vantagens do pré-fabricado de concreto para a relação custo-benefício das obras?
Cláudio Oliveira Silva - O pré-fabricado tem como característica proporcionar ao cliente a certeza de um empreendimento seguro, com investimento calculado, ou seja, o investidor sabe quanto irá desembolsar para concluir a obra; os pré-fabricados representam retorno de investimento mais rápido, pois a obra é concluída num prazo menor e a empresa pode começar suas atividades no prazo previsto (shoppings, supermercados, centros de distribuição etc.).

Os planos de seguros apresentam menores taxas quando a obra é em pré-fabricados de concreto, pois possuem maior resistência ao fogo – comprovado através de ensaios reais e de acordo com as normas técnicas, tanto nacionais quanto internacionais. Este sistema também proporciona ao cliente a certeza de que sua obra será 100% fiel em relação ao que foi projetado, pois não existem adaptações durante a construção, tudo é planejado.

O canteiro de obras é limpo e seguro, e apresenta um número reduzido de funcionários durante a construção; os pré-fabricadores estão equipados com laboratórios e realizam testes a fim de garantir a qualidade e melhorar sua produtividade; os funcionários de empresas do setor são registrados e trabalham devidamente equipados com EPIS (Equipamentos de Proteção Individual e Segurança).

O sistema pré-fabricado de concreto apresenta flexibilidade e atende às maiores exigências dos projetistas e arquitetos. O custo de manutenção, em relação aos outros sistemas, apresenta vantagens, pois é mais baixo; os sistemas pré-fabricados admitem a incorporação de outros componentes em suas peças, como: contra-marcos, caixilhos, revestimentos cerâmicos e outras opções de acabamento; e ainda se integram aos outros sistemas construtivos, ou seja, moldando-se à necessidade de cada projeto.

Os pré-fabricadores (principalmente os associados ABCIC – Associação Brasileira da Construção Industrializada em Concreto e os detentores do Sele Excelência ABCIC) garantem contratualmente seus serviços executados e disponibilizam seu corpo técnico para conceber ou desenvolver soluções diferenciadas.

Além disto, o pré-fabricado de concreto tem total respeito ao meio ambiente, pois, como é produzido de acordo com cada projeto, as peças minimizam desperdícios, a geração de resíduos e entulho, resultando em obras rápidas e limpas.

A utilização do pré-fabricado reduz custo e mão de obra?
Cláudio Oliveira Silva - 
O uso do sistema pré-fabricado elimina várias etapas construtivas na obra, uma vez que a produção das estruturas é feita na fábrica, ficando a obra apenas com a etapa de montagem e acabamento. Com isto, se reduz bastante a mão de obra no canteiro.

Qual a porcentagem dessa redução em comparação ao método construtivo tradicional?
Cláudio Oliveira Silva - Para avaliar o custo real de uma edificação não podemos comparar simplesmente o preço médio do metro quadrado de cada sistema construtivo. Esta avaliação é mais complexa que isto, pois é necessário considerar custos marginais ligados ao projeto, transporte, aquisição de componentes, existência de fornecedores qualificados, mão de obra qualificada, finalidade da obra (comercial, residencial, institucional etc.), fonte de financiamento, custo de seguro e prazo de entrega. Por conta destes inúmeros fatores, em cada caso, os diferentes sistemas construtivos terão uma competitividade própria.

Como o uso de pré-fabricado pode minimizar a escassez de mão de obra?
Cláudio Oliveira Silva - A escassez de mão de obra qualificada não atinge apenas a construção civil e muito menos um setor especifico deste segmento. A industrialização dos canteiros, principalmente utilizando-se o pré-fabricado, ajuda a transformar as atividades da obra, na maioria dos casos, com alto grau de complexidade e imprevisibilidade de resultados e prazos em ações previamente planejadas, deixando o ato de construir mais próximo ao de uma linha de produção, evitando-se ao máximo a ocorrência de improvisações por parte dos operários no momento da execução da obra.

Portanto, a industrialização reduz a necessidade de mão de obra intensiva, principalmente quando se deseja acelerar os prazos de execução, sobretudo na etapa de produção da estrutura, transferindo-a para a indústria de pré-fabricados.

Qual a categoria de profissional mais atingida?
Cláudio Oliveira Silva - A industrialização valoriza a especialização dos profissionais, pois diminui o trabalho braçal e prioriza o planejamento e a precisão dos componentes, dos elementos estruturais e das instalações. Parte deste trabalho, antes braçal, passa a ser realizada na indústria com maior grau de mecanização e padronização. Assim, perdem espaço no canteiro de obras profissionais ligados à preparação da estrutura, como carpinteiros, armadores, pedreiros e ajudantes. Estes profissionais são substituídos por um número menor de profissionais ligados às atividades de montagens dos elementos pré-fabricados, como: montadores, soldadores, operadores de guindastes etc.

Fonte: InfraROI 

Whitetopping em cinco passos

Engenheiro Marcos Dutra. Foto: ABCP

O engenheiro Marcos Dutra de Carvalho (foto), coordenador do Núcleo de Pavimentação da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), responde a dúvidas sobre recuperação de pavimentos deteriorados com concreto, falando de whitetoppinge sobre as vantagens deste sistema construtivo de pavimentação à base de cimento.

1. Em que situações o whitetopping é mais indicado? Que vantagens essa solução agrega do ponto de vista técnico e econômico?

O whitetopping é o recapeamento de pavimentos asfálticos com concreto de cimento portland. É a evolução do conceito de que o recapeamento dos pavimentos asfálticos somente possa ou deva ser feito usando-se materiais da mesma natureza que o da estrutura existente, isto é, com misturas asfálticas.

A origem do termo whitetopping (“cobertura branca”) refere-se à execução da camada de pavimento de concreto, de cor cinza clara, com a função de base e revestimento, colocada sobre um revestimento asfáltico existente, que tem cor escura.

O whitetopping pode ser executado diretamente sobre o pavimento asfáltico, “encaixado” com fresagem ou com a remoção parcial do pavimento existente, que, neste último caso, recebe o nome de inlay. O processo é muito utilizado no Brasil para a reabilitação de corredores de ônibus urbanos. Na cidade de São Paulo, no corredor de ônibus da Av. Rebouças, optou-se pelo emprego de equipamentos de pequeno porte (réguas vibratórias e vibradores de imersão) para execução do pavimento de concreto “encaixado”, na forma de inlay.

A solução em whitetopping é vantajosa porque, com o emprego do concreto com funções de revestimento e base, as camadas inferiores ficam sujeitas a esforços muito reduzidos em comparação a um pavimento asfáltico, o que garante sua preservação e maior durabilidade.

As outras vantagens do whitetopping são:

Economia. Maior durabilidade e, portanto, maior economia, pois os custos de manutenção são mínimos, já que dispensa reforços estruturais periódicos. Os pavimentos de concreto também podem gerar economia de combustível e de material rodante, em razão da menor resistência à rolagem e de a temperatura do pavimento de concreto ser mais branda do que a temperatura de outros tipos de pavimento.

Técnica e desempenho. A vantagem técnica do whitetopping, além de reaproveitar toda a infraestrutura do pavimento existente, é o comportamento do pavimento restaurado quanto à sua durabilidade, que é idêntica a um pavimento de concreto novo, com expectativa de vida de serviço de 30 anos no mínimo, com mínimas necessidades de manutenção.

Construção.  Existe amplo domínio brasileiro sobre a tecnologia de concreto, o que é disseminado nas empresas construtoras. Os equipamentos de formas deslizantes de última geração, disponíveis no país, têm alto rendimento e produtividade, possibilitando a produção diária de grandes extensões de pista, com largura total, caracterizando grande rapidez de execução.

Segurança e conforto de rolamento. A aderência dos pneumáticos à superfície do pavimento de concreto é favorecida pela existência das ranhuras artificiais, evitando aquaplanagem e proporcionando menor distância de frenagem. O pavimento de concreto também tem excelente capacidade de reflexão da luz, requerendo até 60% menos iluminação em trechos urbanos, o que propicia melhores condições de visibilidade ao motorista e aumenta a segurança de tráfego, principalmente à noite ou em condições climáticas adversas. O conforto de rolamento, por sua vez, deriva do fato de os pavimentos de concreto não sofrerem deformação plástica e, portanto, não formarem trilhas de roda, além da excelente terminação superficial.

Ecologia e meio ambiente. O pavimento de concreto é um aliado efetivo da proteção ambiental, pois:

- É totalmente reciclável ao fim de sua vida útil;

- Requer uma estrutura menor para atender uma solicitação de tráfego do que a correspondente em outra alternativa;

- Inibe o fenômeno de lixiviação, impedindo a contaminação do lençol freático, de cursos d’água ou mananciais;

- Permite economia de combustível e redução de emissão de gases geradores do efeito estufa pela frota circulante.

Além disso, na fabricação do cimento portland, seu principal componente, é possível substituir parcialmente combustíveis fósseis por combustíveis alternativos. O cimento brasileiro tem um dos menores fatores clínquer/cimento do mundo (razão entre consumo de clínquer e produção de cimento), constituindo-se referência mundial nesse campo.

Normatização. O emprego do whitetopping é técnica consagrada de reabilitação de pavimentos asfálticos, dados os excelentes resultados obtidos com as obras já executadas, sendo a sua construção regida por procedimentos normatizados, conforme detalhado na norma DNIT 068/2004 – ES – Pavimento Rígido – Execução de camada superposta de concreto do tipo whitetopping por meio mecânico – Especificação de Serviço.

 

2. Quais são os principais controles que o contratante pode adotar na execução de serviços de pavimentação com whitetopping?

Os controles para a execução do whitetopping são os mesmos necessários para a execução dos pavimentos de concreto tradicionais. São necessários os controles tecnológicos do concreto, como a medida da consistência, pelo abatimento pelo tronco de cone, do teor de ar incorporado e da resistência à tração na flexão, bem como da espessura das placas executadas e das camadas subjacentes. São necessários também os controles topográficos das camadas que compõem o pavimento, a fim de garantir que as cotas das camadas acabadas sejam aquelas definidas no Projeto Executivo de Engenharia.

 

3. Na hora de elaborar uma licitação, quais são os principais pontos de atenção? O que o licitante de obra deve exigir das empresas contratadas para executar esse tipo de serviço?

A licitação deverá conter a descrição dos serviços que serão executados, com os respectivos quantitativos, incluindo os procedimentos de execução e de controle da obra e os tipos de equipamentos necessários. Tudo embasado no Projeto Executivo de Engenharia, parte integrante do documento de licitação, que deverá ser seguido à risca pela empresa contratada.

O licitante deverá exigir também que as empresas contratadas atendam aos procedimentos descritos na licitação, que tenham experiência no tipo de serviço a ser contratado, comprovada por meio de atestados técnicos, e que disponibilizem mão de obra qualificada e todos os equipamentos necessários à boa execução da obra.

 

4. Há alguma referência em relação à produtividade ou velocidade de execução desse sistema?

A execução do whitetopping ou do pavimento de concreto dependerá do equipamento utilizado e da logística da obra. A execução poderá ser feita com equipamentos de grande porte, com vibroacabadoras de formas deslizantes, de grande produtividade – até 1 km por dia -, abastecidas por usinas dosadoras e misturadoras de concreto. Ou pode ser feita com equipamentos de médio ou pequeno porte, de menor produtividade, como as acabadoras de formas fixas, de cilindro giratório ou réguas vibratórias, respectivamente.

As vibroacabadoras, de formas deslizantes e de grande produtividade, são utilizadas em obras rodoviárias e em obras urbanas que permitem a sua movimentação, sem interferências, como é o caso de alguns corredores de ônibus e BRT’s (Bus Rapid Transit ou Sistema de Transporte Rápido), em execução em cidades como Curitiba e Rio de Janeiro, por exemplo.

5. Quais são as principais etapas de execução do whitetopping?

Em resumo, são as seguintes:

  • Escolha e definição dos equipamentos que serão utilizados, em função das peculiaridades da obra e das especificações contidas no Projeto Executivo de Engenharia.
  • Planejamento e detalhamento da logística da obra, feitos a partir do Projeto Executivo de Engenharia.
  • Definição dos materiais que serão utilizados, incluindo aí os estudos de tecnologia do concreto, em função do tipo de equipamento que será empregado na obra. No caso de execução com equipamento de pequeno ou médio porte, o concreto é fornecido pré-misturado, em caminhões betoneiras, devendo atender às especificações do projeto. No caso da execução com vibroacabadoras de formas deslizantes, o concreto é produzido em usinas dosadoras e misturadoras, de grande porte, e fornecido em caminhões basculantes.

As etapas de execução são aquelas típicas dos pavimentos de concreto tradicionais, isto é:

  •  Preparo da fundação (subleito e sub-base), para o caso de pavimento encaixado (inlay), ou do pavimento asfáltico existente (whitetopping tradicional), se for o caso;
  • Assentamento das linhas guias, para o caso das vibroacabadoras de formas deslizantes, ou das formas metálicas fixas, para o caso da execução com acabadoras de cilindro giratório ou de réguas vibratórias;
  • Colocação das barras de transferência e de ligação;
  • Lançamento, espalhamento, adensamento e acabamento do concreto;
  • Texturização superficial;
  • Cura e proteção do pavimento acabado;
  • Serragem e selagem das juntas.

Cabe ressaltar que, havendo necessidade de liberação rápida ao tráfego, pode-se utilizar o concreto de alta resistência inicial, configurando a tecnologia fast track de liberação rápida do concreto, já empregada em obras de pavimentação urbana de concreto no Brasil.

Fonte: Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) 

Norma NBR 12655 é essencial para a qualidade das construções brasileiras, diz especialista

Arnaldo Battagin

Em outubro, a ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) organizou um seminário com o tema “Desafios do Projeto, Produção e Aplicação do Concreto”. Um dos temas em destaque no evento foi a importância da norma NBR 12655, criada há cerca de 10 meses, para o mercado concreteiro. Arnaldo Battagin, geólogo e diretor de laboratórios da ABCP, foi um dos palestrantes do evento e concedeu uma entrevista sobre o tema.

O que a ABNT NBR 12655:2015 regulamenta e o que ela trouxe de novidade?

Battagin - A ABNT NBR 12655 estabelece requisitos para a composição, o preparo, o controle tecnológico do concreto nos estados fresco e endurecido e os critérios para aceitação e recebimento do concreto nos locais previstos para sua aplicação. Essa norma se aplica aos concretos de massa específica normal, aos pesados ou densos e também aos concretos leves. Ainda quanto ao campo de aplicação, o concreto pode ser usado em estruturas moldadas na obra, estruturas pré-moldadas ou componentes estruturais pré-fabricados para edificações e estruturas de engenharia. Estão fora do escopo da ABNT NBR 12655 o concreto massa, os concretos aerados, os espumosos e aqueles com estrutura aberta (sem finos).

Nesta versão de 2015, a norma foi atualizada e foram feitos ajustes:

1 – Nas definições dos termos utilizados, que foram compatibilizadas com outras normas que complementam a ABNT NBR 12655;

2 – No estabelecimento de requisitos para o controle tecnológico dos componentes do concreto, passando a ser referenciadas as normas respectivas a cada um dos materiais. Com isso, foi automaticamente cancelada a antiga ABNT NBR 12654;

3 – Nos critérios de aceitação e recebimento do concreto nas obras, sendo esclarecidos alguns conceitos e melhorada a redação para facilitar o entendimento e a aplicação da norma. O título e o escopo da ABNT NBR 12655 foram modificados, sendo explicitamente introduzida a operação de aceitação do concreto, que conceitualmente corresponde ao cumprimento a todos os requisitos normativos estabelecidos para o concreto. O recebimento é a etapa que antecede a aceitação definitiva do concreto, correspondendo ao cumprimento das propriedades  no estado fresco (geralmente abatimento)  e nos casos de  concreto dosado em central também a aprovação da documentação que acompanha a entrega do concreto. Em casos de não conformidade dos resultados obtidos no controle tecnológico em corpos de prova moldados para essa finalidade, passou a ser referenciada a ABNT NBR 7680, que prevê a extração de testemunhos da estrutura, determinação das resistências obtidas e análise interpretativa desses resultados, desde que estudos prévios ligados à segurança estrutural justifiquem a real necessidade das extrações.

4- Nos requisitos de durabilidade, com a revisão daqueles introduzidos na versão de 2006 da norma, e com a incorporação, nesta nova versão de 2015, de um anexo informativo que trata dos cuidados a serem tomados nas fases de projeto e execução de estruturas sujeitas à ação de águas agressivas, para garantir sua durabilidade (caso de elementos enterrados de concreto, como as fundações).

A ABNT NBR 12655:2015 incorporou as inovações já normalizadas no campo do concreto nos últimos anos, referenciando a ABNT NBR 15823, para o concreto autoadensável, a ABNT NBR 15900, para a água de amassamento do concreto, e as normas brasileiras específicas para materiais que podem ser utilizados na composição do concreto, como a sílica ativa (ABNT NBR 13956:2012), o metacaulim (ABNT NBR 15894:2010) e outros materiais pozolânicos (ABN TNBR 12653:2014).

Na prática, com esta norma, o que mudou na vida do projetista e do gerente de obras?

Battagin - A ABNT NBR 12655 orienta os profissionais responsáveis pelas obras de concreto sobre as melhores práticas, dentro de seu escopo, desde sua primeira edição, em 1992. Nesta nova versão foi atualizado o conteúdo da norma, sem mudanças expressivas na relação entre os profissionais envolvidos com o tema. Vale informar que, para facilitar a verificação do cumprimento das exigências previstas na ABNT NBR 12655, decidiu-se estabelecer o prazo de cinco anos para o arquivamento de documentos comprobatórios das exigências da norma, como os dados do controle tecnológico do concreto, por exemplo, em lugar de referir à legislação vigente, que certamente deverá ser cumprida, mas pode não ser suficientemente específica.

A nova NBR 12655 substitui a atual NBR 12654 – Controle Tecnológico de Materiais Componentes do Concreto – Procedimento. Por que essa substituição?

Battagin - Como já mencionado, a ABNT NBR 12655:2015 passou a referenciar as normas dos materiais que entram na composição do concreto, pois essas normas brasileiras foram revisadas e estabelecem como deve ser realizado o controle tecnológico de cada material especificamente, tornando desnecessária a ABNT NBR 12654, cujo conteúdo, além de repetitivo, estava desatualizado.

A NBR 12655 pode ser considerada uma das normas-mães do concreto?

Battagin - No campo da tecnologia do concreto, a ABNT NBR 12655 é a referência maior no Brasil. Vale lembrar que, inicialmente, parte do conteúdo da ABNT NBR 12655 constava das primeiras versões da antiga NB-1 (Projeto e execução de obras de concreto armado), que hoje é a conhecida ABNT NBR 6118 (Projeto de estruturas de concreto). Com o passar dos anos, o aumento da complexidade das obras e, por consequência, das exigências normativas, decidiu-se separar os documentos relativos a projeto (ABNT NBR 6118) daqueles que tratam da execução das estruturas (ABNT NBR 14931) e do controle tecnológico do concreto (ABNT NBR 12655).

 

Existem pontos na NBR 12655 que precisarão ser ainda melhorados? Isso será feito numa futura revisão?

Battagin - As normas técnicas são o registro do consenso social acerca do avanço científico e tecnológico de um país, em um determinado momento da história. Por esse motivo são evolutivas e devem ser revisadas periodicamente, para que permaneçam atualizadas. Certamente a ABNT NBR 12655 será objeto de futuras revisões, dada sua importância e a necessidade de acompanhar os avanços do concreto e suas aplicações.

Para o mercado que produz concreto, o que muda na prática com a nova NBR 12655? 

Battagin - Para aqueles que já utilizam a norma, não haverá mudanças significativas. Há, no entanto, a necessidade de divulgar e apresentar as vantagens de conhecer e seguir as normas técnicas brasileiras, que geram conhecimento técnico, diminuem desperdícios, facilitam a negociação de bens e serviços, pois melhoram o entendimento entre as partes envolvidas, além de trazerem segurança a produtores e consumidores.

Entrevista realizada pela ABCP e divulgada no link: http://www.abcp.org.br/conteudo/imprensa/abcp-promove-seminario-dia-15-de-outubro